Jardins para poucos: a luta da elite paulistana pela exclusão da cidade

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“A quem interessa o fim das zonas exclusivamente residenciais?”

“A quem interessa o fim das zonas exclusivamente residenciais?”, diz uma faixa afixada no muro de uma mansão no Jardim Europa, em São Paulo.

Entre as várias mudanças sendo feitas atualmente na política urbana da cidade de São Paulo está a revisão da Lei de Zoneamento, que altera a lógica de desenvolvimento de várias zonas da cidade. O Jardim América e o Jardim Europa, duas das regiões mais ricas de São Paulo e atualmente legisladas para uso estritamente residencial de baixa densidade, seriam afetadas pela lei na sua versão atual, que ainda deve passar por algumas dezenas de audiências até ser aprovada. A proposta sugere que atividades comerciais sejam permitidas em algumas das avenidas dos Jardins (hoje o uso comercial é bastante restrito, embora, na prática, muitas casas já sejam usadas para comércio de forma irregular), além de permitir o aumento da área construída em algumas destas vias, favorecendo o adensamento populacional.

As mudanças não agradaram os moradores, que se manifestaram contra as mudanças na imprensa, na internet, na justiça e com faixas de protesto nas suas casas. Mas para entender melhor a proposta e os argumentos dos moradores, precisamos antes lembrar como foi formada a região.

Tanto o Jardim América como o Europa foram construídos como empreendimentos imobiliários da Companhia City, a empresa de urbanização mais influente na história de São Paulo, também responsável pela construção de bairros como Alto de Pinheiros e Alto da Lapa.

A região que os Jardins América e Europa ocupam era, no início do século 20, uma várzea do Rio Pinheiros, distante do centro original da cidade. Quando o Rio foi retificado pela construção da Marginal Pinheiros, os alagamentos frequentes deixaram de ser um problema e um grupo de empresários – que se transformaria na Cia. City – comprou os terrenos em lotes únicos, possibilitando empreendimentos do tamanho dos Jardins.

O conceito urbanístico proposto era arriscado: seria uma tentativa de replicar a “cidade-jardim”, um novo conceito de urbanismo que tinha sido recentemente criado na Inglaterra por Ebenezer Howard, considerado um dos primeiros urbanistas da história.

A novidade da cidade-jardim permitia que seus moradores se isolassem da densa metrópole que então se desenvolvia, fugindo da congestão, do barulho, da diversidade e da desigualdade de São Paulo, relativamente recentes na metrópole que se desenvolvia rapidamente. Em 1870, São Paulo tinha em torno de 30 mil pessoas, mas em 1920 esse número chegaria a 570 mil pessoas. Ou seja, a população paulistana foi multiplicada por dezenove em apenas 50 anos.

Na época, uma das teorias mais populares para explicar alguns problemas de saúde pública era a “teoria da miasma”, que apontava a falta de verde, sol e ar puro como a origem da proliferação de doenças. Ainda não havia sido descoberta a teoria microbiana, que hoje prevalece sem grande contestação científica. Por isso, o urbanismo no Brasil de então foi marcado por reformas sanitaristas, onde médicos se tornavam urbanistas para tentar corrigir estes problemas sob pretextos de uma ciência hoje ultrapassada.

Apesar da força incontrolável do crescimento urbano e do poder atrativo da cidade, para técnicos e intelectuais a cidade em si era um problema a ser corrigido, e a cidade-jardim resgataria as qualidades das zonas rurais criando a nova utopia de morar: espaços amplos e ar puro em uma distância ainda próxima ao centro, ainda acessível por automóvel. As semelhanças com o subúrbio norteamericano não são mera coincidência, dado que ambos são frutos de um pensamento comum.

Os urbanistas ingleses Barry Parker e Raymond Urwin foram os primeiros a projetar uma cidade jardim que realmente saiu do papel, chamada de Letchworth, em 1902. A Companhia City, de origem inglesa e operando no Brasil, então considerado um território virgem para ser desbravado com novas ideias, chamou Parker e Urwin para o projeto do Jardim América, que se tornou o primeiro projeto da Companhia City em São Paulo. As obras se iniciaram em 1913 e terminaram quase duas décadas depois, em 1929.

As restrições urbanísticas impostas no loteamento privado eram muito mais severas que em qualquer outro bairro da cidade, que então ainda se desenvolvia em torno da região central. Enquanto o centro de São Paulo mirava aos céus com altos edifícios para abrigar uma população cada vez maior, nos Jardins foram determinados rígidos limites populacionais, com restrições de altura, e de afastamentos frontais e laterais das edificações. O projeto foi pensado para uma elite paulistana emergente (a elite tradicional ainda morava mais próxima ao centro, na Av. Paulista ou em bairros adjacentes como Higienópolis), também disposta a experimentar este novo conceito de moradia. Um pouco parecido com os empreendimentos da Alphavile da atualidade, ainda mais longes da região central.

A cidade cresceu.

Hoje o Jardim Europa e o Jardim América não mais se caracterizam como subúrbios de uma região central mas, apesar de se localizarem historicamente nas chamadas zonas Sul/Sudoeste, elas estão muito próximas ao novo centro geográfico da mancha urbana paulistana, e no centro financeiro onde estão concentrados muitos dos empregos da Zona Metropolitana, que hoje ultrapassa 20 milhões de pessoas.


“O preço médio de um imóvel nos Jardins é em torno de R$12 mil por metro quadrado, o dobro da média da cidade.”


A centralidade e importância da região levam a uma altíssima demanda para morar nos Jardins e, com a oferta restrita, imóveis com preços altíssimos. O preço médio de um imóvel nos Jardins é em torno de R$12 mil por metro quadrado, o dobro da média da cidade. Se o bairro que era destinado às jovens elites emergentes, hoje ele abriga mansões de alguns dos cidadãos mais ricos do país.

Embora os Jardins tenham mantido a sua forma e densidade populacional próxima da original, as regiões ao seu redor tiveram grande aumento na população e na área construída. Os distritos de Pinheiros e Jardim Paulista, dos quais os Jardins fazem parte, possuem uma densidade de 8171 e 14540 hab/km2, respectivamente, mesmo contando com os Jardins “vazios” de densidades muito inferiores, em torno de 4500 hab/km2 segundo o livro “História econômica da cidade de São Paulo”.

Em 1986, o Jardim Europa e América foram determinados como patrimônio histórico da cidade, não só por ser uma das primeiras manifestações urbanas dos criadores originais da cidade-jardim, mas pelo princípio de que eles melhorariam a qualidade urbana para o resto da cidade, desempenhando um “importante papel na formação de um clima urbano mais ameno, capaz de atenuar a ‘ilha de calor’ característica das metrópoles compactas.”

A clara divisão entre o Jardim América e o restante do bairro, já urbanizado. A rua horizontal, no centro da imagem, é a Rua Estados Unidos.

A clara divisão entre o Jardim América, abaixo, e o restante do bairro, acima, já urbanizado. A rua na horizontal que passa no centro da imagem é a Rua Estados Unidos.

Este é, inclusive, um dos principais argumentos usado pelos moradores que hoje criticam a revisão da Lei de Zoneamento: o Jardins seria um dos “pulmões verdes da cidade”, segundo vídeo divulgado pelo grupo “Contra Mudança de Zoneamento Na Rua: Estados Unidos” do Facebook, que já possui mais de 2 mil seguidores.

Outra crítica à revisão do plano seria o aumento do trânsito no bairro, já que as atividades comerciais atrairiam gente de fora. Segundo uma recente reportagem do Estadão, Regina Monteiro, presidente do Instituto das Cidades e conselheira do Movimento Defenda São Paulo, contratada pela Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César (Samorcc) para avaliar o impacto que tal legislação teria na região, “Com o aumento dos carros, seria necessária uma hipotética quarta faixa (a via tem três) para manter os níveis de congestionamento atuais” na Rua Estados Unidos.

No entanto, hoje os moradores destes oásis em meio à selva de concreto paulistana se transportam quase exclusivamente de automóvel, dada uma série de fatores: a baixa densidade que não consegue suportar uma rede de transporte coletivo eficiente e, aliado ao uso exclusivamente residencial e amplos recuos, a caminhabilidade do bairro – facilidade de fazer atividades diárias a pé – é precária.

A crítica ao trânsito foca exclusivamente nos impactos locais, esquecendo o impacto negativo que o bairro hoje gera para o resto da cidade com a sua baixa densidade, ao contrário do que é divulgado no vídeo: baixa densidade demográfica com distâncias maiores entre atividades dificultam o deslocamento, independente do modal de transporte escolhido.

Considerando que tanto o Jardim Europa como o Jardim América têm em torno de 1 quilômetro quadrado cada um, é possível estimar o número de pessoas que poderiam estar morando nesta região central caso o seu adensamento fosse maior. Se eles tivessem 10 mil hab/km2, semelhante aos bairros adjacentes, seriam 11 mil pessoas a mais na região central, próximas às principais atividades e serviços. Se fosse proposta uma densidade ainda mais democrática, como a dos bairros Liberdade ou República, de em torno de 20 mil hab/km2, este número aumentaria para 31 mil pessoas.


“Caso houvesse tal adensamento, seria economizado o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas partindo da periferia a esta região central.”


Caso houvesse tal adensamento, seria economizado o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas partindo da periferia a esta região central. Este caso extremo deve ser considerado já que, mesmo se os possíveis novos moradores do Jardins viessem de bairros adjacentes, sua mudança geraria um efeito em cascata, liberando imóveis para que moradores mais distantes possam se aproximar da nova região central.

Ou seja: o impacto da mudança da Lei de Zoneamento seria extremamente positivo para a cidade de São Paulo. Não só haveria uma redução no trânsito pelo aumento da proximidade entre as pessoas como o deslocamento que hoje é feito primordialmente de carro poderia ser feito tanto a pé como de transporte coletivo. Esta solução, ainda, é muito mais verde do que a atual, já que a vegetação do Jardins beneficia apenas aos seus moradores, enquanto com a mudança do zoneamento haveria uma grande redução nas emissões de gases tóxicos resultantes de deslocamentos descenessários. Neste sentido, o próprio tombamento da região deveria ser reconsiderado, dado que se suporta em argumentos ambientais equivocados.

Seja como for, estes argumentos são, na verdade, uma distração ao principal motivo de mobilização dos moradores: o simples fato de que não querem mais gente no seu bairro, preservando seu status quo.

Uma das principais mobilizadoras do grupo, segundo o Estadão, é a paisagista Sylvia Luiz que, durante a entrevista ao jornal, aponta para um carro velho e enferrujado que estava estacionado em frente à sua casa e comenta “Olha, é isto que a gente não quer”, deixando a entender que o proprietário do carro poderia ser um criminoso. O proprietário do carro apareceu logo em seguida: era um ajudante contratado na obra de recapeamento da Rua Polônia, devidamente uniformizado, que estava em hora de almoço.

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Rua Espanha, no Jardim América: verde para quem mora, mas sem pedestres e sem transporte coletivo.

É inegável o caráter elitista do grupo, que tenta usar uma retórica popular para convencer a população a preservar seus interesses. Flávio Villaça, um dos mais importantes urbanistas brasileiros, em entrevista para o IG, comenta que “o que eles querem manter é a qualidade de vida do bairro deles, é o silêncio, o verde…”, e que é legítimo que os moradores dos Jardins queiram proteger seu bairro, “mas dizer que é interesse público? Isso, não”. Outros urbanistas, como o professor da FAU-USP João Sette, concordam que os bairros-jardins são segregacionistas – no caso dele indo até mais além, comparando-os com o Apartheid – mas relutam em concordar com seu adensamento, muito menos com a entrada “livre” do mercado imobiliário.

Sette apresenta sentimentos ambíguos em relação ao desenvolvimento da região, sugerindo que o tombamento deveria ser preservado, beneficiando o morador que “teve a oportunidade de lá morar”, aliado a um grande receio de que a incorporação imobiliária transformaria a região em um “paliteiro” verticalizado, já que o desenvolvimento é feito (sic) “sem planos, sem lógica, sem desenho, sem proteção dos espaços públicos, sem redimensionamento das ruas, sem regulação do Estado, segundo sua livre vontade”.

No entanto, ao usar tais argumentos, autores como Sette esquecem que os principais geradores da má tipologia urbana em São Paulo foram justamente as regulações que restringem as densidades demográficas, obrigando que a verticalização seja aliada a amplos recuos de ajardinamento, desincentivando a ocupação do térreo com atividade comercial e ainda obrigando a construção de uma grande quantidade de vagas de estacionamento em cada construção, quem acabam utilizando boa parte do térreo para isso. Nenhum bairro que se desenvolveu anterior a este tipo de legislação, como qualquer um da Subprefeitura da Sé, na região do centro histórico de São Paulo, possui a característica de paliteiro criticada por tais autores, mas sim uma verticalização que produz densidade, moradia acessível e uma calçada viva. Uma flexibilização regulatória, dessa forma, certamente traria ganhos na qualidade e na democratização do espaço urbano.

Alguns podem argumentar, ainda, que os moradores devem ser protegidos pois fazem parte de um loteamento privado com regras próprias. No entanto, isso não ocorre de fato na legislação, dado que um loteamento é diferente de um condomínio. Em um loteamento, o incorporador pode definir uma série de regras, mas logo em seguida tanto as regras como a infraestrutura pública são incorporadas ao poder público.

Ou seja, é a Prefeitura de São Paulo que custeia a manutenção do espaço público do bairro e que é responsável pela legislação urbana que incide sobre ele. Não é o caso do Jardim América e Europa serem condomínios totalmente privados, onde existem convenções de condomínio e que os espaços são custeados totalmente pelos moradores, como é o caso, por exemplo, de empreendimentos da Alphaville ou de projetos ainda maiores como a Riviera de São Lourenço. O Jardins foi sim um loteamento planejado e construído por uma incorporadora privada, mas logo em seguida se tornou um bairro como os demais na cidade de São Paulo, sujeitos a alterações do Plano Diretor como as que estão hoje sendo feitas.

Assim, o cidadão paulistano deve estar ciente que alteração da Lei de Zoneamento dos Jardins é legítima e que, se aprovada, trará benefícios para a cidade. A população deve lutar contra este pequeno grupo de pessoas que são sim, moradores, mas não donos da área, pessoas que pedem pela exclusão do resto da cidade da região dos Jardins. Então, respondendo a pergunta “a quem interessa o fim das zonas exclusivamente residenciais?”: à cidade de São Paulo.

  1. Elie Maltz

    Releia este texto tendencioso: “Trará benefícios para a cidade…A população DEVE LUTAR contra este pequeno grupo de pessoas que são sim, moradores, mas não donos da área, pessoas que pedem pela exclusão do resto da cidade da região dos Jardins…Então, respondendo a pergunta “a quem interessa o fim das zonas exclusivamente residenciais?”: à cidade de São Paulo”. Não, esta resolução não interessa a “cidade de São Paulo”, esta solução apenas estragaria e descaracterizaria um dos bairros mais belos da cidade de São Paulo. O autor que não é “dono da área” para determinar o que é melhor para seus moradores e muito menos dono da verdade e opinião pública. Tirar a identidade do bairro não faria nenhuma diferença positiva na vida dos milhões de brasileiros “da classe trabalhadora”. Este artigo me lembra os discursos chulos e demagogos do PT, puramente tendencioso e infundado defendendo interesses próprios inconseqüentes que estão destruindo a cidade e o país para beneficiar meia dúzia de babacas.

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    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Oi Elie! Obrigado pelo seu comentário.

      Entendo sim que a mudança da lei beneficiaria sim a cidade de São Paulo, que hoje não aproveita em nada esta suposta beleza do Jardins: apenas os moradores tem esse benefício. Os motivos foram claros, explicitados no texto: permitir o aumento da densidade demográfica, a produção de moradias em áreas centrais, a diminuição de deslocamentos, o aumento da caminhabilidade, a viabilidade de redes de transporte coletivo, o benefício ao ambiente geral da cidade. Você pode não concordar, mas gostaria de ouvir seus argumentos contrários à essas colocações, pois no seu comentário você só mencionou a sua impressão subjetiva ao tom que você interpretou do meu discurso, e não aos fatos apresentados.

      Att

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  2. Claiton

    “se fosse proposta uma densidade ainda mais democrática”… que ideia mais esdrúxula é essa? Democratizar a densidade demográfica? Faça-me o favor…
    Quem deve decidir as alterações do bairro são os seus moradores, aqueles que pagam impostos proporcionais ao que o bairro tem de valor agregado. Caso contrário, estarão passando por cima do indivíduo e das concepções originais dos locais. Tudo que é individual é ruim ou criminoso? Não. Pode tudo em nome de uma suposta coletividade? Creio que não. Permitir uma interferência dessa magnitude seria autorizar o Estado, mais uma vez, a agir como um ditador que manda e desmanda, relevando assim os interesses individuais daqueles que pagaram com SEU DINHEIRO cada metro quadrado que adquiriram no bairro.

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    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Claiton, obrigado pelo comentário!

      Na realidade, quando ocorreu a compra do terreno não havia nada que garantisse que o local seria protegido pelo desenvolvimento da cidade de forma indefinida. O município poderia, inclusive, desconsiderar completamente o regramento do loteamento após a construção das primeiras casas. O que deveria ser seguido é que a primeira edificação deveria seguir aquelas regras, apenas isso.

      O que ocorre hoje é exatamente isso: o Estado mandando o que deve ser feito em propriedade privada, absorvendo uma regra inicial de um loteamento que não deveria ter feito desde o início. O Estado não está mandando que seja feito outras coisas lá: os moradores tem total liberdade de fazerem um contrato privado, entre si, para manterem a configuração do bairro independente do poder municipal. É claro que, dada o custo de oportunidade financeira de uma flexibilização regulatória em nível municipal, muitos moradores não assinariam este contrato. Ou seja: estes moradores que mudariam de ideia, adensando ou trocando o uso do seu terreno, estão sendo restritos pelo poder estatal às custas dos demais.

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  3. Gabriel Ordini

    Anthony,

    Parabéns pelo artigo. Embora não seja nenhuma novidade para urbanistas, o volume de distorções e mentiras propagadas por algumas associações de bairro pauta a discussão em cima de premissas erradas.

    Pra quem reclama do ‘IPTU mais caro da cidade’, imagina então nós proprietários de imóveis fechados e ociosos na Avenida Europa e na Gabriel Monteiro. Nada é mais caro do que o IPTU que incide sobre um imóvel que não consegue cumprir sua função social. Existem casas fechadas a 5-6 anos a procura de locatários, afinal quem quer morar na Gabriel Monteiro com seu zoneamento ZER?

    As associações de bairro reclamam muito, no entanto não oferecem RESPOSTAS para perguntas simples. Somos tão cidadãos quanto os demais moradores, e não aceitamos mais perdurar numa situação de quase confisco, onde não podemos usar nossos imóveis, onde somos usados pelo resto do bairro como um ‘escudo’ para as vias de maior trânsito.

    Em nenhuma outra cidade do mundo existem áreas unifuncionais no meio da cidade.

    Parabéns!

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    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Obrigado, Gabriel! Na verdade existem sim casos com áreas monofuncionais em meio à zona urbana, mas não é algo muito comum… e constantemente tem operações comerciais irregulares, como o próprio caso dos jardins!

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  4. Mauro Turbiani

    Excelente a forma da colocação do problema. A cidade é óbviamente um organismo vivo todos devem se adaptar às mudanças, mais ainda em um período de quase um século. Uma pequena parcela da população, reacionária e com visão tacanha, esperneia de forma pouco educada sobre o óbvio. O interesse individual não pode se sobrepor ao interesse coletivo.

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  5. audrey K

    Moro num bairro misto e amo. Do lado do condominio de casa (lindo e arborizado) em que vivo, há um hortifruti, ao qual vou a pé, bem como farmácia, cabeleireiro, padaria, restaurantes e até escola. Colégio Santa Maria (um dos mais arborizados da cidade) Minha filha sempre foi a pé para a escola!. Já morei na Europa ,em Amsterdã e lá era assim. Simples assim. Todos convivendo harmoniosamente. Casas e comeércio. Em zonas mais residenciasi, priorizar comércio de BAIXO impacto e prestação de serviços que não causem incomodidade.,como consultórios ,por exemplo. Em grandes avenidas, comércios maiores…Descentralizar sim. Diminuir locomoção e poluição, sim,por favor!. Nada de lutas. Sim ao diálogo. SEMPRE!

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  6. Adriano Afonso

    Parabéns pela matéria e pelas respostas sempre educadas aos comentaristas de boteco de plantão nem sempre tão educados.
    Pessoal que ainda vive na ladainha de “pago mais posso mais!”

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  7. Gisele Rozemboim

    Matéria esclarecedora, não é de hoje que esse assunto cria polêmica , todas as vias em questão são bem conhecidas , problemas antigos , que muitos não querem ver resolvidos.
    Em particular gostaria de escrever sobre a Alameda Gabriel Monteiro da Silva , trecho Faria Lima / Rua Hungria, esse trecho vem sendo discutido e pontuado como residencial por pessoas que não conhecem o trecho.
    Esse trecho em 2004 foi classificado como corredor de serviços e não mais residencial, mas mesmo assim o trecho não se mantém.
    Desde então a Alameda vem decaindo á olhos vistos , por causa das restrições de uso imposto pela ex administração Municipal , mas dando liberdade para o comércio no trecho Faria Lima/ Rebouças , uma mesma via com 2 zoneamentos diferentes !!!!
    A falta de segurança já atinge os imóveis vagos , um deles já foi invadido , pois não são mais economicamente viáveis e seguros pelos seus próprios meios.
    Hoje esse trecho é um mero fantasma do que já foi um dia em termos urbanísticos e de valor imobiliário.
    Seria também interessante se possível, sabermos quantos imóveis estão inadimplentes ( IPTU) , por essa mesma restrição de uso.
    A borda do bairro, como os conhecidos urbanistas gostam de citar, já conta com 3 esqueletos , um deles um prédio está invadido por 160 pessoas .

    Responder
  8. Gisele Rozemboim

    Gostaria também de falar que : as mesmas pessoas que não conseguem entender que uma cidade como São Paulo, que há muito tempo não é mais industrial , precisa urgente mesclar seus usos .
    Que as mesmas pessoas quando viajam para o exterior querem estar em hotéis bem localizados , isso quer dizer , perto dos restaurantes, teatros, cafés, lojas etc..
    Mas aqui , not in my backyard !

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    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Gisele Rozemboim, muito obrigado pela colaboração! Comentários perfeitos, muito legal ver cidadãos tão bem informados sobre o tema.
      Abs!

      Responder
  9. Zoneamento: pauta ultrapassada? | Caos Planejado

    […] que esta deveria ser a última de nossas prioridades. O assunto acabaria retornando com a pauta da “luta” dos moradores dos Jardins, quando o professor rebateu que a região representa apenas 2% do território da cidade, […]

    Responder
  10. Renzo Grosso

    Meu caro, veja a foto da Rua Espanha que você postou e veja-a novamente uns dois anos depois, caso essa Lei seja aprovada.
    OU, veja a Rua Estados Unidos, próximo ao número 400. O comércio destrói o verde com estacionamentos, vagas para carros, trânsito, ampliações… Mas aí já será tarde demais e você vai poder passear nessas áreas desertificadas que você está promovendo.
    Preocupe-se em levar o verde para os bairros pobres, que precisam. As pessoas, ricas ou pobres, tem o direito de viver num local agradável.

    Responder
  11. Renzo Grosso

    Se interessar, veja: http://www.cartasabertas.com

    Responder
  12. 33: Morando Sobre uma Pilha de Dinheiro | Podflix

    […] Jardins para poucos: a luta da elite paulistana pela exclusão da cidade (Caos Planejado) […]

    Responder
  13. 豚の精神

    Eu acho essa visão de “democratizar” o espaço público um pouco forçada, é mais um pensamento de ideologia socialista, do que a técnica urbanista. E não faz sentido porque é provável que as construtoras tem um lobby pesado na câmara municipal pra mudar a lei de zoneamento ali, que vai virar uma mina de ouro se fora liberada a construção de edifícios. Logo não vejo interesse público nisso, apenas continuará segregada e cara em função da óbvia demanda. Pode ser que esses bairros na verdade já não atraem mais, com proprietários loucos pra passar pra frente, cansados de manter tanto espaço grande. Mas é o mercado é que dirá, e ali tá com cara que vai ser um espaço estrategicamente atraente para empreendimentos de alto padrão. E quero ver como vai ficar o trânsito se juntarmos os caóticos Itaim Bibi e Jardim Paulista já que nem se vislumbra ali uma linha de metrô.

    Responder
    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Olá! Muito obrigado pelo seu comentário. Fiquei com algumas dúvidas, no entanto: o adensamento do espaço é forçado e por ser um pensamento socialista ou há, de fato, uma óbvia demanda para adensar o espaço? Não entendi essa parte do seu comentário.

      No entanto, discordo de que é “o mercado que dirá”: este é o cerne do artigo, de que existe a demanda de mercado mas que ela não é possível (há muitas décadas) de ser implementada por causa da legislação. Já conversei com inúmeros incorporadores de São Paulo e eles não vêem a menor possibilidade de mudar essa restrição, nem está no seu radar de tão longe suas chances.

      Quanto ao trânsito, também foi um ponto tocado no artigo: a distância entre pessoas e atividades vai diminuir, não aumentar, diminuindo a dependência do carro e viabilizando obras como linhas e estações de metrô. Da forma que está, com baixíssima densidade e caminhabilidade, não faria o menor sentido instalar uma estação de metrô.

      Abs!

      Responder
  14. Por que Tóquio é sete vezes mais acessível que São Paulo? | Caos Planejado

    […] estes antigos loteamentos paulistanos aumentam os preços de todo o entorno, conforme analisado neste artigo do editor, Anthony […]

    Responder
  15. Lucas

    Não acho que as pessoas devam ser convocadas para “lutar” contra determinados moradores de determinados bairros de uma cidade. Esse texto pretende apoiar uma visão de um empreendimento, tentando abarcar todas as suas nuances, ou quer promover luta de classes? Essa postura é ridícula, inaceitável, sob qualquer ponto de vista.

    No mais, a mudança de zoneamento se escora sempre num suposto “se”, por exemplo, 1) se abrir mais vagas para moradores na região central, 2) causará um efeito cascata empurrando as pessoas mais para a região central. Discordo. Logicamente, é impossível promover a debandada urbana plena rumo ao centro, sobretudo porque mesmo que esses Jardins tenham suas densidades alteradas, os imóveis se manterão caros como sempre. Se existirá uma “democratização” do espaço urbano, ela será para benefício único e exclusivo dos… mesmos RICOS de sempre. Ou será que forçar a densidade populacional nesses bairros reduzirá o preço da moradia? Cascata.

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    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Oi Lucas, obrigado pelo comentário!

      A intenção do uso do termo “luta” não foi, de forma alguma, uma promoção de luta de classes. Peço desculpas se pode ter ficado confuso. A “luta” da elite paulistana do Jardins significa, aqui, um grande esforço organizado defendendo um determinado interesse, que é o que ocorre de fato. Eu entendo que a palavra “luta” pode sim ser usada nesse significado, ao exemplo da frase genérica “vamos lutar – ou batalhar – para que isso aconteça”.

      Quanto ao zoneamento: caso o Jardins flexibilizasse seu zoneamento a “possibilidade” de que ele seria adensado seria tão grande que poderíamos considerar uma certeza absoluta. Nesse caso, a entrada de milhares de pessoas na região seria, de fato, uma aproximação de habitantes à região central. Isso não é, de forma alguma, “forçar” a densidade populacional. Aliás, densidade populacional dificilmente pode ser aumentada “à força”, já que migração urbana depende de pessoas voluntariamente comprando imóveis em uma determinada região. Estou desconsiderando, aqui, um movimento onde o governo coage ou obriga as pessoas para morarem uma determinada região usando a força da polícia, o que já aconteceu (ou ainda acontece) em regimes ditatoriais comunistas, já que não vivemos sob essa realidade. O que pode acontecer no Brasil é “forçar” a restrição do adensamento, mas não o contrario.

      Abraços,
      Anthony

      Responder
  16. A moradia em Tóquio é 7x mais acessível do que em São Paulo. Entenda por que. - Mercado PopularMercado Popular

    […] estes antigos loteamentos paulistanos aumentam os preços de todo o entorno, conforme analisado neste artigo do editor, Anthony […]

    Responder
  17. Anselmo Heidrich

    O artigo se baseia em uma lógica econômica real – a da oferta e procura – e acertada, mas isto não é suficiente. Se estivermos pensando na migração de moradores devido a ampliação da oferta de imóveis para os Jardins e, por conseguinte, de outros moradores para os imóveis dos que migraram primeiro e assim sucessivamente, sim, nós teríamos uma melhoria no acesso à infraestrutura urbana. No entanto, tudo pode ser corrompido pela cultura… Se os passeios urbanos (calçadas) não forem preservados e, pelo contrário, ‘liberados’ para serem ocupados por mais imóveis que diminuam os recuos vigentes teremos este padrão minimalista de cidade comum em áreas menos nobres. Portanto, mesmo que se aponte pela flexibilização dos zoneamentos, eles ainda são necessários para facilitar a circulação e o desenvolvimento do mercado urbano porque NÃO EXISTE mercado sem estado. Analogamente, não existe cidade livre sem regulamentações.

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  18. Celso P

    Por que não deixam os Jardins em paz e vão construir bairros mistos nas ex-áreas de proteção aos mananciais? A resposta parece simples mas não é. Primeiro porque é mais politicamente correto atacar a burguesia paulistana descendente de ‘bandeirantes assassinos de índios’ e outras diatribes do que mexer com os pobres coitados das favelas que ocuparam e destruíram as APM. Segundo porque as APM são regidas por lei estadual. Governo do estado e prefeitura não se falam, uma vez que pertencem a partidos opostos. Terceiro porque a densidade nas favelas é medida em eleitores/m². Quem é louco de mexer ali e perder milhões de votos? Quarto porque, em política é mais vantajoso perpetuar problemas que resolvê-los. Político adora falar em ‘destinação de verbas’ milionárias para mitigar esse ou aquele problema de forma pontual enquanto a cidade perece. São Paulo sempre foi vista como uma gigantesca Serra Pelada urbana. Para muita gente, a cidade é um excelente lugar para ascender politicamente ou ganhar rios de dinheiro. A cidade? Que pegue fogo, ora. É assim que muita gente pensa.

    Responder
    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Oi Celso P, obrigado pelo comentário!

      Áreas periféricas normalmente são menos demandadas do que áreas centrais, ou seja, é mais crítica a falta de adensamento construtivo em áreas centrais do que em áreas periféricas. As áreas periféricas ocupadas irregularmente tem densidades demográficas mais altas justamente porque falta adensamento construtivo e oferta imobiliária nas regiões centrais.

      Essas “ex-áreas de proteção” também são, ainda, oficialmente áreas de proteção e ocupadas por comunidades estabelecidas. O processo de regularização fundiária e titularização de propriedade é extremamente complexo mas, ao meu ver, indispensável.

      Responder
  19. BOLHAS GIGANTES

    SÓ NÃO DERRUBEM AS ÁRVORES, POR AMOR

    Responder
  20. Celso P

    Não entendi. Se o governo promover a regularização fundiária dessas ocupações – ilegais, é bom lembrar – não estará jogando a toalha? E o meio ambiente, as matas que foram perdidas, a água que está acabando, como é que ficam? E o espraiamento da mancha urbana, não é algo a ser combatido? Penso que já que é impotente, o governo deveria convidar as grandes construtoras para sentar-se à mesa e discutir planos para a cidade. Por exemplo, a construção de bairros mistos nas APM. Isso evitaria o processo de gentrificação da classe média que por falta de opção vai morar lá no km 100 da Castelo Branco mas continua trabalhando na capital. O resultado é o que vemos todo dia de manhã na chegada a São Paulo: um inferno.

    Responder
    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Olá Celso P,

      Quanto às matas que foram perdidas, infelizmente isso não é recuperável. Eu entendo que devemos olhar para a realidade dos 11 milhões de brasileiros que vivem em tais condições excluídos da formalidade e sem acesso ao mercado habitacional formal. Devemos, na medida do possível, trabalhar para integrar estas pessoas à realidade do restante da sociedade. A regularização fundiária é um processo onde, na prática, ninguém sai perdendo: apenas se modifica a estrutura institucional para potencializar e melhorar estruturas urbanas e sociais que, de fato e na realidade, já existe.

      O espraiamento da mancha urbana deve ser combatido sim, possibilitando mais e mais oferta de moradia em regiões centrais. Justamente por isso o motivo do artigo sobre o Jardins que você está comentando. O espraiamento da mancha urbana NÃO deve ser combatido destruindo e expropriando comunidades já existentes, mesmo que em periferias de áreas urbanas.

      Por fim, o processo do governo convidar grandes construtoras para definir planos para a cidade é extremamente perigoso. Perigoso porque tal relação corporativista não busca benefícios para a cidade como um todo mas para os agentes que estão acordando entre si, sem considerar o benefício para o grande público. É fato que, para a grande construtora, se o poder público expropriar centenas de milhares de pessoas de áreas informais para a construção de uma obra ela sai ganhando. No entanto, há um caminho muito mais justo onde todos saem ganhando: concede-se propriedade para tais moradores que, na prática, são os ocupantes da área e cria-se uma estrutura regulatória que permite que tais incorporadoras possam prestar serviço e desenvolver a região de forma descentralizada, beneficiando os moradores na transação e não os expropriando.

      Responder
  21. Celso P

    Grato pela sua réplica Anthony, mas mantenho minha opinião. O governo deveria sim remover aquelas famílias dando-lhes outro local para morar mais próximo do centro. Mas isso nunca vai acontecer porque a maneira dos governos governarem não é resolvendo problemas mas perpetuando-os. Afinal, é desses imensos bolsões de pobreza que eles extraem seus votos. Ficam porém algumas perguntas para a reflexão: por que dar moradias para essas pessoas em uma cidade saturada e tão difícil como São Paulo quando sobra espaço no país? Em vez de pregar o tal ‘direito à cidade’ que incentiva a concentração populacional e migração raiz de todos os problemas que afligem as metrópoles, não seria mais honesto falar em ‘direito ao país? Lembrando que água é uma das poucas coisas que não podem ser fabricadas pelo homem, como ficará a questão do abastecimento de 20 milhões de bocas se sofrermos mais duas secas consecutivas futuramente? Com a palavra o governo federal que criou o inútil Ministéria das Cidades e o inerte Ministério da Reforma Agrária.

    Responder
    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Olá Celso P, muito obrigado por mais um comentário.

      Você está usando os argumentos “antiurbanos” que eram muito comuns no início do século passado, pelo que eu entendi criticando o adensamento populacional em zonas urbanas e incentivando o alastramento da população pelo território nacional. Não entendi muito bem como você pode ser contra o alastramento da mancha urbana e contra o adensamento populacional ao mesmo tempo, dado que espalhar as pessoas no território é justamente isso.

      Você pergunta: “por que dar moradias para essas pessoas em uma cidade saturada e tão difícil como São Paulo quando sobra espaço no país?”, porque sou justamente contrário ao espalhamento das pessoas no território de forma artificial. Acho que se há demanda para morar em um determinado local a cidade deveria poder responder com oferta abundante de moradia justamente para possibilitar a moradia adequada destas pessoas. Concentração populacional significa não só que as suas demandas estão sendo respondidas mas também um ganho de eficiência no uso de infraestrutura e no consumo de recursos naturais. Estudos do Santa Fe Institute já comprovaram matematicamente o ganho de eficiência de cidades analisando milhares de casos de cidades do mundo inteiro em todas as escalas. Ou seja, muitos problemas que eram apontados em teoria no início do século passado hoje foram desmistificados por um estudo mais científico e embasado em dados das cidades. Você fala em abastecimento de água, mas é muito mais difícil distribuir água por todo território nacional do que em uma única cidade: é este o ganho de eficiência que as cidades oferecem.

      São Paulo não é uma cidade saturada – a sua densidade populacional nos centros é menos da metade de cidades como Nova York ou Hong Kong. É apenas uma questão de como a cidade responde com oferta habitacional e infraestrutura adequada.

      Abs!

      Responder
  22. Celso P

    Meu caro Anthony Ling, defendo a ideia das pessoas mais humildes morarem lá no interior do país, bem longe das metrópoles por uma razão que não pode ser medida em nenhum estudo científico: a felicidade. Como nordestino que sou, posso afirmar, escrever, assinar e reconhecer firma em cartório que os nordestinos que lá estão são infinitamente mais felizes que os milhões de infelizes que vivem amontoados e levando uma vida de cão aqui em São Paulo. Lembrando Euclides da Cunha no célebre Os Sertões: ‘o nordestino ama o nordeste e não sabe viver sem ele’. É uma verdade irrefutável. Porém, você tocou em um ponto crucial: a questão da água. Graças à ação da ASA – Articulação do Semi- Árido – o NE está vencendo a seca com medidas simples e baratas como captação de água de chuva e armazenamento em cisternas. Aliado ao programa de crédito à agricultura familiar e ao empreendedorismo, o Luz para Todos está levando luz elétrica ao outrora esquecido semi-árido. Precisamos lembrar também das boas ações de valorização da cultura local, o que vem ajudando as famílias nordestinas a darem valor a si mesmas e fixarem-se naquela região (a propósito, veja a programação da TVT e algumas reportagens do Globo Rural) Caso contrário, a solução para aquelas famílias seria a migração rumo às grandes cidades do sudeste agravando o problema da superpopulação. Eu falei problema mas hoje a apuperização das metrópoles é vista como solução pela classe política, como já destaquei. Entretanto, água é um recurso finito. Precisamos ser realistas e encarar os números. Caso contrário, não haverá água suficiente para todos daqui a 50 anos e São Paulo será de fato o novo NE, o NE do começo do seculo 20. Estaremos então aqui eu e você discutindo a transposição do rio Amazonas para São Paulo. Se olharmos para a metrópole abarrotada de gente, é uma solução. Porém, se abrirmos a mente e afastarmos o zoom olhando para o país veremos que a concentração populacional é um erro. Abraço.

    Responder
    • Anthony Ling

      Anthony Ling

      Celso P, muito obrigado por mais uma ótima troca de ideias.

      Acredito que grande parte da nossa discordância parte da premissa de que você acha que sabe o que é bom para as pessoas mais do que as próprias pessoas. Você acha que quando uma pessoa se muda de uma cidade pequena, no interior, para uma cidade grande, ela está tomando uma decisão ruim, então você quer impedir que ela faça isso. Aliás, você considerou isso uma verdade irrefutável e universal. Eu penso muito diferente. O que ocorre, de fato, é que centenas de milhares de pessoas pessoas que moram no interior do país estão de fato se mudando para cidades grandes justamente para procurar mais oportunidades que cidades pequenas não tem condições nem escala para oferecer. Esta ação realizada por elas próprias representa muito melhor as suas vontades do que uma premissa que Celso P acredita ser verdadeira. É por este motivo que eu gostaria que os centros urbanos fossem mais abertos e receptivos, para se transformar para abraçar cidadãos que buscam a vida na cidade grande.

      Quanto à água, não entendi o seu comentário. O custo de saneamento e distribuição de água diminui a medida que aumentamos a densidade demográfica. Se as pessoas estiverem espalhadas no país este custo aumentaria significativamente.

      Abraços!

      Responder
  23. Celso P

    Errata: onde está escrito ‘apuperização’ leia-se pauperização.

    Responder
  24. Celso P

    Off topic. É sobre bandeirantes, pichações e a esquerda paulista. “Pichação no Monumento às Bandeiras: arte de esquerda é sujar e cagar
    Flavio Morgenstern01/10/2016
    A pichação no monumento em homenagem aos Bandeirantes revela duas mentalidades: a que aprende com o passado e a que quer destruí-lo.
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    O Monumento às Bandeiras, próximo ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi pichado na madrugada entre a última quinta e sexta-feira (29-30), assim como a estátua do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro, e a sede da Secretaria Estadual da Educação, na República.

    As pichações ocorreram logo após o debate entre candidatos à prefeitura na Rede Globo, em que o tema das pichações foi mencionado, com a candidata Marta Suplicy esforçando-se para separar “pichação” de “grafite”, que seria uma “arte”. Litros e litros de tinta rosa, verde, azul e amarela despejados foram despejados sobre o monumento.

    Apesar de não ser comentado nas notícias que foram vistas na imprensa, para o brasileiro médio acostumado com o modelo de atuação da esquerda não é difícil imaginar quem estaria por trás de tais atentados criminosos, está uma ideologia política. Tampouco demanda-se que alguém entenda de herméticos e arcanos símbolos de seitas para traduzir o significado de tintas coloridas e a qual corrente ideológica e partidária atendem.

    Sede da Secretaria de Educação de São Paulo é pichada com os dizeres “Fora Temer”

    De fato, não é possível imaginar que pichações, vandalismo, crimes e alguma forma de emporcalhar uma cidade, custando trabalho e dinheiro de trabalhadores honestos, possa ser feita contra o PT, a esquerda ou o modernoso ideário progressista. Nem era preciso ver as imagens: bastava saber que tal fato ocorreu para saber que o mote vazio “Fora Temer” apareceria em algum momento.

    De acordo com a Veja São Paulo, a “pintura” (sic) no monumento “divide opiniões”. Não uma “divisão” como imaginamos ao ler a frase, de 50/50, ou pelo menos, talvez, 70 contra 30%. Quem apóia são pessoas como o ator Caio Blat, que postou em seu Instagram: “Gostei da intervenção. Podiam deixar por uns dias…”.

    Já as respostas são escritas com menos eufemismos:

    vc achou legal “a intervenção”???? Então disponibiliza verbas para comprar produtos de limpeza e vai limpar você essa sujeira.

    Pinte a sua casa, a sua cara a sua vida desse jeito que irá combinar com você 👍🏽

    Já que gostou, por que não deixa seu endereço para que pichadores como esses façam uma intervenção na sua casa, ou na de sua família ?

    guerrilheiro de iPhone, esquerdinha condomínio fechado, babaca maior

    Avá!! @tamarag.bringel além de puxa saca falta-lhe cidadania. Então se sou católico posso destruir uma igreja evangélica!? Larga de ser irresponsável e apoiar vandalismo sua escrota! Independente da sua ideologia, patrimônio público não pode ser vandalizado. Vc é baixa é ridícula, aceita que dói menos. #temerfica#esquerdinhanutella

    É obrigação para os atores brasileiros serem ridículos???

    O modelo progressista é a faina da destruição do trabalho alheio, da glorificação de qualquer coisa de baixo valor, desde que destrua tudo o que seja considerado velho, ultrapassado ou mesmo “obscurantista”, como monumentos celebrando fatos históricos, e não um futuro sem passado.

    Bandeirantes, Tamoios, Anhangüera

    O progressismo é hoje pesadamente financiado por instituições globalistas como a Open Society de George Soros, que financia estudos provando, entre outras coisas, que o modelo de gestão da Crackolândia por Fernando Haddad é uma excelente política pública de saúde (sic).

    Outra agência financiada por George Soros é a Agência Pública, “agência de jornalismo independente” e “sem fins lucrativos” (sic), que recebeu mais de R$ 1 milhão da Open Society em cinco anos. A Agência Pública tem entre seus curadores a blogueira do El País e da Época, Eliane Brum, e o blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto.

    Leonardo Sakamoto seguiu o rito do progressismo globalista (adjetivo quase desconhecido da intelectualidade brasileira) e, se criticou a pichação, ou melhor, o “custo alto” da “intervenção”, pelo trabalho gasto (alguém terá de limpar o monumento), por outro lado, subiu no cavalo do seu monotematismo e, pela oitava vez desde quinta-feira, atacou “os bandeirantes”. Para o blogueiro progressista a soldo de George Soros e contra a classe média, algo celebrando os bandeirantes nem deveria existir.

    Em um texto extremamente apelativo para o público infanto-juvenil, com jargões galerosos de internet como “Na minha opinião, um povo não precisa de heróis” ou “#prontofalei”, Leonardo Sakamoto diz que a arte “pode ser usada que a história seja passada adiante de forma acrítica, contribuindo com a doutrinação” (!), ou que “[o] fato da (sic) elite de São Paulo tê-los [os bandeirantes] (…) escolhido como heróis diz muito sobre o espírito do Estado” (de novo?), decorrendo-se então que “parte da população encare a tortura como método válido de investigação policial”, considerando então que monumentos a bandeiras são “símbolos construídos para fortalecer uma narrativa histórica por um grupo social que ainda hoje está no poder”.

    Leonardo Sakamoto, como se sabe, nunca esteve no poder, nem faz parte da elite. Elite é a dona Jusecreide da faxina, que teve de limpar tudo aquilo, vai à igreja evangélica e é contra o casamento gay. Ela, sim, contribui com a doutrinação.

    Para Sakamoto,

    Nossos heróis são Domingos Jorge Velho, Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Paes Leme, Manuel Preto, Bartolomeu Bueno, Borba Gato que roubaram, mataram, escravizaram e ampliaram nossas fronteiras como consequência não de algum princípio mais alto, mas da ganância.

    É difícil crer que algum paulista considere Raposo Tavares algo além de uma rodovia e pense em Paes Leme sem ser numa atriz global, mas a análise de Sakamoto jura que são estes nossos “heróis”. Todo um estudo, digamos, sério, pode ser demolido simplesmente verificando-se se sua primeira premissa tem algum nano-respaldo na realidade.

    CracolândiaDe toda forma, para Sakamoto e sua cruzada anti-Bandeirantes, preferindo sempre viajar pela Anhangüera, os bandeirantes “roubaram, mataram, escravizaram e ampliaram nossas fronteiras como consequência não de algum princípio mais alto, mas da ganância”. Sua premissa menor também é falha: os bandeirantes tinham sim princípios mais elevados do que a ganância. Ainda que não sejam aqueles que Sakamoto glorifica, como “ocupações” (sic) e “crackolândia” (sic).

    Se não queremos que “a história seja passada adiante de forma acrítica, contribuindo com a doutrinação”, é bom se entender que os bandeirantes, tão odiados por Sakamoto 39 vezes por semana, são odiados por ele justamente pela “ampliação de fronteiras” e por ajudarem e, literalmente, abrirem caminho aos jesuítas na conversão dos índios.

    Como Sakamoto e o progressismo têm o cristianismo como inimigo público número 1, e como o modelo de pensamento progressista não busca encadear pensamentos em silogismos, mas sim em causar uma reação imediata com palavras chocantes (“elite! no poder! tortura! escravizaram! acrítica!”), mesmo que sem coerência nenhuma, passa despercebido a Sakamoto e seus leitores que, por exemplo, quem mais matava e escravizava índios eram, justamente, os próprios índios.

    As tribos, afinal, eram guerreiras, e a palavra tem mesmo tal significado, o que é difícil ao pensamento de esquerda e sua cisão absoluta entre significante e significado entender. Os que “roubaram, mataram, escravizaram” os índios, sem precisar de bandeirante nenhum, foram outras tribos indígenas, com o curioso adendo de serem canibais, comendo a carne dos guerreiros inimigos (sem o canibalismo, a angüera, espécie de alma do índio, poderia morrer, sem atingir a terra-sem-mal).

    A guerra antes da civilização – guerras indígenasOs bandeirantes, muito mais desprotegidos do que os índios e em número incrivelmente menor, apesar da superioridade de armas, apenas praticaram o modelo de guerra já em voga entre os índios. Não surpreenderia que, caso inventassem o modelo de intervenção militar para instaurar uma “democracia” nas aldeias de pajés, Sakamoto igualmente os criticasse como versões anteriores de George W. Bush. Aliás, não foi muito diferente do que eles fizeram, com os jesuítas logo atrás.

    Os jesuítas, com seu odiado cristianismo, aquele que crianças doutrinadas e acríticas aprendem a odiar desde tenra infância nas escolas lobotomizadas por pensamentos como o de Leonardo Sakamoto, converteram os índios justamente sobre um Deus único comum, e não deuses rivais, que faziam com que índios odiassem qualquer pessoa de uma tribo inimiga (e deus inimigo) tão somente por pertencerem a outra tribo. Se Sakamoto quer falar de racismo, poderia analisar, de forma “crítica” e sem ser “doutrinada”, o que é o pensamento tribal, base antropológica do racismo.

    Bandeirantes e índios. Se hoje andamos nas ruas de São Paulo e não tomamos uma flechada na orelha tão somente por trocar para o bairro de uma tribo rival, tal se deve aos bandeirantes e jesuítas, a despeito de pessoas com preguiça de pesquisar, mas facilmente impressionáveis e rápidas nas conclusões ao ver uma iconografia de bandeirantes malvados diante dos índios. Nossa paz em São Paulo não se deve ao esquema social dos índios, que foram convertidos por jesuítas como Padre Anchieta e aprenderam que o ser humano é dotado de corpo, alma e espírito, da trindade divina, que não precisavam assassinar seus inimigos por um deus diferente e nem comer sua carne para sua angüera ir para a terra sem mal, que era a bondade e as ações individuais, e não a vitória na guerra contra uma tribo rival que levaria sua alma para uma terra-sem-mal. Digamos, “algum princípio mais alto” do que a ganância de tomar as posses alheias pela guerra.

    (ler mais sobre as guerras indígenas no maravilhoso romance de Alberto Mussa, A Primeira História do Mundo, sobre o primeiro homicídio investigado no Rio de Janeiro, como analisamos no nono episódio do Guten Morgen, o nosso podcast.)

    Leonardo Sakamoto culpa os bandeirantes por guerrearem como os índios guerreavam, e tem credulidade de que os índios eram simpáticos, tolerantes, amáveis uns com os outros como alguém os amou. Como bons cristãos, dir-se-ia.

    Mas, para o pensamento progressista-globalista, tudo é apenas uma doutrinação de frases de efeito acríticas e doutrinadas (exatamente o que Leonardo Sakamoto tenta acusar “o povo paulista”, beirando o discurso de ódio contra um povo, de fazer). Basta gritar “racismo” para que pessoas de esquerda pensem em bandeirantes e jesuítas escravizando índios por não terem alma, enquanto índios estariam se amando entre si. Entre outras bazófias histórias que só se sustentam sem saber o que raios é um bandeirante.

    Pichação: ars poetica sakamotiana

    Justamente sem ter nenhum ideal mais elevado do que a ganância, seja a visão histórica de Sakamoto ou sua visão sobre arte, tudo é um imanentismo absoluto, o tipo de materialismo mais reducionista, que só vê na matéria algum valor e só vê valor material no que está além de suas impressões imediatas.

    Para um modelo de arte materialista-histórico-dialética-sakamotiana, aquela da luta de classes entre bandeirantes e índios, pauparicada na risível idéia de que os bandeirantes sempre estiveram no poder, e não os índios que enterravam e enterram vivas suas crianças gêmeas e deficientes, não há um universalismo de almas inocentes (como de bebês na barriga da mãe) que possam ir para uma terra-sem-mal: todo o universal deve ser realizado por um governo universal que controle e imponha valores que destruam o passado das memórias coletivas. Para que as pessoas pensem “acriticamente”, numa Doutrinação absoluta com D maiúsculo. É o D que substitui Deus.

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    Frases de esquerda @FrasesEsquerda
    urge ressignificar o espaço urbano
    13: 48 – 30 set 2016
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    Para essa mentalidade que vai da estética à ética, a destruição de um monumento, ainda que modernista, é apenas purificar o presente da terrível presença dos mortos e da história. Tudo deve ser substituído pela crença moderna no progressismo global.

    Esta arte, que só tem matéria bruta e corporificação absoluta, medindo de fetos a monumentos tão somente por sua capacidade de uniformizar as mentes para o controle corporal total e totalitário, qualquer manifestação que destrua o “obscurantismo” da família, de religiões contrárias ao Estado total, da universalidade da alma e não do corpo, só pode ser criticada também pelas suas conseqüências materiais, como alguém ter de limpá-la depois.

    Fernando Haddad grafita Pato Donald em muroA arte que resta é a pichação, a “intervenção”, a destruição. É o credo do futurismo, que pretendia destruir as pontes, edifícios, praças, a arte clássica italiana e, claro, as igrejas para construir algo novo do zero. Os futuristas defendiam um modelo totalitário, o fascismo, além de querer expulsar as mulheres da vida pública. O fascismo não vingou, mas o neo-futurismo se reinventou, defendendo totalitarismos sem precisar citar seus nomes.

    Para essa mentalidade, que obedece não mais a “princípios mais elevados”, só conseguindo olhar para a matéria imanente, toda a obediência é à destruição do que mantém a ordem social funcionando, sem crenças no Leviatã moderno globalista, com aborto, drogas e afins.

    Fazer cocô em público no MASP contra Bolsonaro não é digno de críticas: apenas o povo paulista é criticável. Ficar nua e depilar a perereca em público defronte a outro museu de arte moderna, com velhinhas e crianças na “platéia”, tampouco é criticável: o problema é honrar bandeirantes. Fazer centopéia humana com seres humanos enfiando seus dedos no roscofe alheio não é ausência de “princípios mais elevados”: “ampliar as fronteiras” e ensinar universalidade divina o é. E enfiar gelo e garrafas de vinho no culito ainda não é, digamos, “ganância”: é apenas o valor materialista sem o “obscurantismo” do atrasado povo paulista.

    Se quer uma mentalidde com “princípios mais elevados”, talvez Sakamoto devesse rejeitar ser financiado por George Soros “sem fins lucrativos” e observar algo realmente de valores elevados. Talvez a Notre Dame ou a Capela Sistina. Não são “intervenções”: são arte. Não precisam do eufemismo dos progressistas, que nunca descrevem a realidade com termos precisos.

    São estes os dois tipos de mentalidade que estão “dividindo” São Paulo, segundo a Veja São Paulo. Para que os jovens saibam distinguir qual a melhor, talvez seja necessário terminar com #prontofalei”

    Veja também: Não é você que pensa o que pensa: George Soros pensa por você: http://sensoincomum.org/2016/08/22/guten-morgen-george-soros-pensa-voce/

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    BandeirantesCaio BlatGeorge SorosHistóriaíndiosLeonardo SakamotoOpen Society

    Flavio Morgenstern
    Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro “Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs” (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

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  25. Zoneamento e segregação em São Paulo | Caos Planejado

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