Sobre o Caos Planejado

Cidades caóticas ou planejadas?

londresfolha

Nosso mundo é cada vez mais urbano: cidades se tornaram nosso habitat natural, e urbanismo se tornou o ambientalismo para humanos.

Cidades são o ambiente perfeito para trocas, não só de mercadorias, mas de experiências e de ideias para resolver os problemas da nossa espécie. É onde nasce tanto a arte quanto a tecnologia, mas também onde elas morrem quando se tornam obsoletas. É onde se mistura o caldeirão de culturas da humanidade.

Mas também são nelas onde surgem conflitos, congestão, choques sociais e culturais. Cidades são organismos vivos, aglomerações de humanos que interferem e constantemente retroalimentam o espaço construído.

Na linguagem popular, caos é associado à desordem, bagunça, confusão: nossa ideia quando observamos as cidades de hoje. Mas no sentido técnico, caos é um comportamento imprevisível, a sensibilidade às condições iniciais. É desse caos complexo que surge uma noção quase oposta ao seu sentido popular: o da ordem espontânea.

A cidade, caótica, emerge com ordem natural.

No entanto, somos cegos a essa ordem complexa. Tentamos planejar o caos, sobrepondo o tecido urbano com ordem humana e artificial. Nas palavras de Jane Jacobs,

“Tratar de uma cidade, ou mesmo de um bairro, como se fosse um grande problema arquitetônico, capaz de ser resolvido através de um trabalho disciplinado de arte, é cometer o erro de tentar substituir a vida pela arte. Os resultados de tão profunda confusão entre arte e vida não são nem arte, nem vida. Eles são taxidermia.”

A taxidermia urbana é descrita pelo seu significado popular: desordem, bagunça, confusão.

Hoje cidades são complexas e são planejadas, são caóticas em todos os sentidos.

Queremos entender este Caos Planejado, discutindo formas para tornar nossas cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas.

 

Visão

Influenciar mudanças em políticas urbanas brasileiras de forma sustentável, tornando cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas.

Sustentáveis, no sentido de resultados que se sustentem, de forma econômica, ambiental e social, ao longo do tempo.

Acessíveis, no sentido de providenciar moradia, mobilidade, infraestrutura e serviços urbanos qualificados para um número maior de pessoas, principalmente àqueles que atualmente não possuem tal acesso e, também, para aqueles potenciais moradores, que gostariam de morar na cidade mas que hoje estão restritos pela própria cidade.

Humanas, no sentido de aumentar a segurança, a saúde e a interação dos cidadãos no ambiente urbano.

Diversas, no sentido de aumentar a diversidade social, econômica e cultural de uma cidade.

Dinâmicas, no sentido de serem capazes de se ajustar e de se adaptar ao longo do tempo de acordo com as constantes mudanças demográficas, culturais e tecnológicas da sociedade.

 

Valores

Ciência: entender causas e consequências de políticas urbanas baseando-se em dados e pesquisas.

Independência: ser uma fonte de informação apartidária, apolítica e sem precisar responder a corporações, instituições ou indivíduos externos na publicação de informação.

Qualidade: argumentos e fundamentos sólidos, apresentados de forma impecável, e com linguagem acessível a uma gama ampla de leitores.

Respeito e responsabilidade: ser atencioso a todos leitores ao publicar qualquer tipo de conteúdo, e respondê-los sempre que possível de forma séria e informativa. Se cometermos algum erro, pediremos desculpas e registraremos o equívoco.

Empoderamento: dos leitores, dos colaboradores, dos cidadãos.

 

Formato e Linha Editorial

Nossos textos tenderão a ser curtos, em comparação com artigos acadêmicos, e terão linguagem acessível para facilitar a leitura online e para expandir o acesso ao conhecimento sobre urbanismo para um público mais abrangente.

Tentamos utilizar uma linguagem clara, evitando o uso de jargões que tendem à opacidade da linguagem ou o uso de termos técnicos pouco conhecidos. Caso estes termos sejam usados, será feito um esforço para explicar o termo de forma simplificada no texto.

Queremos tornar o debate sobre urbanismo claro e produtivo e, por isso, evitamos tratar sobre ideologias políticas amplas. Por exemplo, evitamos o uso dos termos “esquerda”, “direita”, “capitalismo” e “socialismo” pois podem ter significados diferentes para pessoas diferentes, além de enviesar o pensamento desde o início, prejudicando a busca por informação precisa. Em tempos de polarização ideológica e desqualificação do debate através de matérias clickbait, campanhas de fake news e redes sociais que incentivam o uso de chavões superficiais, buscamos o consenso e, embora tenhamos uma linguagem acessível, prezamos sempre pela precisão no uso das palavras.

Estes termos também representam visões de mundo que podem ser abrangentes demais para discutir formas de resolver problemas com nuances específicas no contexto de políticas urbanas municipais. Acreditamos, por exemplo, que uma discussão sobre como administrar vagas de estacionamento em espaços públicos de forma eficiente independe de espectro político. Ou seja, se ficarmos presos a uma única visão de mundo para resolver um determinado problema estaremos descartando formas potencialmente mais eficientes.

Também evitamos argumentos subjetivos, como defesas de determinadas posições sob a justifica de que geram “cidades melhores”, já que leitores podem ter visões diferentes de o que significa uma cidade melhor. Para nossa equipe editorial, cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas são, de forma geral, melhores, mas não necessariamente todos podem concordar com estes mesmos valores. Assim, pedimos para que nossos colaboradores sejam claros em relação a qual objetivo estão buscando com uma determinada proposta.

Todos os artigos publicados no site são feitos de forma voluntária, não remunerada, por colaboradores que possuem opiniões independentes. No entanto, é importante destacar que o posicionamento da página em editoriais ou mídias sociais não reflete o posicionamento individual dos nossos colaboradores, mas sim o da equipe editorial do site. Da mesma forma, o posicionamento individual dos nossos colaboradores em mídias externas ao Caos Planejado não refletem a opinião da nossa equipe editorial.