Podcast #133 | Territórios do crime
Confira a nossa conversa com Maria Isabel Couto e Carolina Grillo sobre territórios controlados pelo crime no Brasil.
As caronas compartilhadas com veículos autônomos prometem transformar a mobilidade urbana, reduzindo congestionamentos e a necessidade de carros particulares. Para que os benefícios se concretizem, é essencial que autoridades públicas se antecipem e integrem esses serviços ao transporte coletivo.
14 de abril de 2025Cidades ao redor do mundo estão à beira de uma revolução no transporte com a chegada dos veículos autônomos. Com os avanços mais recentes nas tecnologias de direção autônoma e de viagens compartilhadas, combinadas têm o potencial de transformar a mobilidade urbana. No entanto, se os gestores do transporte público não se prepararem para o rápido lançamento desses serviços, prestadores privados devem introduzir robotáxis, podendo colocar em risco os benefícios mais amplos que o transporte autônomo poderia trazer. A modelagem de transportes moderna desempenha um papel crucial para compreender os impactos reais dessa nova mobilidade autônoma em relação à qualidade do serviço, aos preços e, em última instância, ao congestionamento, às emissões de carbono e aos custos operacionais.
Diversas empresas estão testando serviços de robotáxis e ônibus autônomos em larga escala. Pode-se dizer que esses serviços estão saindo da fase de testes e entrando em operação comercial plena, com clientes pagantes. A maturidade técnica do transporte autônomo já alcançou um nível que permite o lançamento de viagens compartilhadas com veículos autônomos em grande escala nos próximos anos, como demonstrado pelos testes da MOIA na Alemanha.
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A direção autônoma pode mudar drasticamente o equilíbrio entre o uso do carro particular e os serviços de mobilidade. Como previ há uma década no palco do Slush (evento de startups e tecnologia), com veículos autônomos as famílias não terão mais incentivos para possuir carros próprios. Embora visionários como Elon Musk sugiram que as pessoas vão continuar comprando veículos autônomos e alugá-los quando não estiverem em uso, eu argumento que o “modelo Airbnb” não funcionará nesse setor, pois operadores de frotas podem gerenciá-las com muito mais eficiência. A dinâmica do setor de transporte difere significativamente da indústria de hospedagem, com aspectos críticos que incluem exigências regulatórias, de segurança e de responsabilidades legais. Os custos operacionais de veículos particulares tendem a permanecer praticamente inalterados com a automação, mas os custos operacionais dos serviços de transporte podem cair pela metade, tornando esses serviços ainda mais competitivos frente aos automóveis privados.

As caronas com veículos autônomos prometem alterar significativamente o cenário da mobilidade urbana. Aqui estão alguns dos principais impactos:
Para avaliar com precisão os impactos das viagens compartilhadas com veículos autônomos — e da transição mais ampla para uma mobilidade baseada em serviços — é essencial fazer modelagens de transporte avançadas. Modelos baseados em atividades e agentes (Activity- and Agent-Based Models — AABMs) são ferramentas indispensáveis para essa análise, pois oferecem insights detalhados sobre o comportamento dos usuários e o desempenho do sistema em diversos cenários.
Modelos baseados em atividades, como o BRUTUS, da Ramboll, focam no cotidiano dos indivíduos e suas escolhas de deslocamento para cumprir suas atividades. Ao incorporar os veículos autônomos e os serviços compartilhados nesses modelos, os planejadores urbanos podem prever mudanças na demanda de viagens, escolha modal e preferências de rota, permitindo avaliar os impactos no sistema de transporte como um todo.
Modelos baseados em agentes simulam as ações e interações de agentes individuais (como passageiros e veículos) dentro do sistema de transporte, oferecendo uma estrutura flexível para modelar os aspectos operacionais das caronas autônomas e entender seus efeitos nos padrões de deslocamento, uso dos veículos e níveis de serviço.
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Essas abordagens de modelagem permitem uma avaliação abrangente dos serviços com veículos autônomos compartilhados, assegurando que eles sejam projetados e implantados de modo a maximizar os benefícios e mitigar possíveis efeitos negativos.
A Região Metropolitana de Helsinque (HSL) já demonstrou uma visão de larga escala para serviços de caronas compartilhadas e sua integração com o sistema de transporte público por meio do Kutsuplus — um sistema pioneiro operado entre 2012 e 2015. O transporte autônomo reduz drasticamente os custos operacionais, viabilizando esses serviços em larga escala sem necessidade de subsídios, com ganhos de escala reais. Isso vai finalmente viabilizar a visão que inspirou o Kutsuplus.

Agora, as autoridades de transporte enfrentam a tarefa crítica de definir uma visão clara e um plano de ação para a implementação do transporte autônomo. A tecnologia não apenas facilita as viagens compartilhadas, como também permite automatizar rotas fixas e agendar o transporte público. Essa inovação representa uma oportunidade — e talvez uma necessidade — de reestruturar completamente o sistema de transporte coletivo.
Se as autoridades não se prepararem com urgência para o lançamento desses serviços autônomos compartilhados, empresas privadas podem começar a implementar robotáxis por conta própria, potencialmente colocando em risco os benefícios que o transporte autônomo poderia oferecer.
Artigo originalmente publicado em Ramboll.
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