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Estudo nos EUA conclui que o número de ciclistas é 1,8 vezes maior em ciclovias protegidas do que em ciclovias padrão e 4,3 maior do que em trechos sem ciclovias.
5 de janeiro de 2026Pedalar é uma atividade física que faz bem para a saúde física e mental e que estende esses benefícios para além de quem pedala. Quanto maior o número de ciclistas em uma cidade, menor é o congestionamento, melhor é a qualidade do ar, menos barulhento é o ambiente urbano e maior é a segurança no trânsito. Mas os perigos de pedalar nas cidades afastam muita gente desse tipo de transporte. Por isso, o investimento em ciclovias e em trajetos seguros para ciclistas e pedestres é fundamental.
Ciclovias protegidas (ou segregadas) são infraestruturas fisicamente separadas do tráfego motorizado por meio-fios, barreiras, vegetação ou estacionamento de veículos. Esse tipo de faixa reduz o risco de colisões e o nível de estresse percebido pelos ciclistas.

Quando investimos em estruturas assim e em trajetos seguros para quem pedala, o número daqueles que escolhem a bicicleta para se deslocar aumenta muito. É o que aponta uma nova pesquisa liderada por Nick Ferenchak, da Escola de Engenharia da Universidade do Novo México. O estudo revela que ciclovias protegidas levam a quase o dobro de ciclistas que circulam pelo local em comparação às ciclovias padrão. Foram analisados mais de 14 mil quarteirões em 28 cidades norte-americanas ao longo de seis anos.
“Cidades que buscam impulsionar o modo de deslocamento por bicicleta devem se concentrar na implementação de instalações de baixo estresse se quiserem atender melhor à população em potencial que pode ganhar mais confiança em pedalar”, observa Ferenchak. Além de professor de engenharia civil na Universidade do Novo México, ele dirige o Centro de Segurança de Pedestres e Ciclistas.
Nick e Wesley Marshall, professor de engenharia civil da Universidade do Colorado em Denver e coautor do artigo afirmam que a pesquisa mostrou que cerca de 1,8 vez mais ciclistas utilizavam as ciclovias protegidas do que as convencionais. Esse número saltou para 4,3 vezes mais quando comparado a quarteirões sem ciclovias.
Ferenchak afirma que as descobertas também servem para confirmar o uso da ferramenta de planejamento “Nível de Estresse no Tráfego de Bicicletas”, que engenheiros adotam para determinar qual a melhor infraestrutura viária para ciclistas de diferentes níveis de experiência e idades. Quanto menos estresse uma área causar aos ciclistas, mais pessoas a utilizarão, resume o especialista.
Leia mais: 5 princípios para projetar uma rede de ciclovias
Ao comparar diferentes estruturas de ciclovias, os pesquisadores examinaram inicialmente cidades que tinham mais do que o dobro da média nacional de ciclistas, utilizando estimativas quinquenais da Pesquisa da Comunidade Americana. Quatorze cidades com altos índices de ciclistas foram pareadas com cidades com área geográfica, função, clima e tamanho populacional semelhantes, mas com um número muito menor de ciclistas.
Também estudaram mapas de ciclovias e entrevistaram funcionários das cidades. Em seguida, classificaram grupos de quarteirões por tipo de infraestrutura cicloviária e a quilometragem de cada tipo. Por fim, chegaram à conclusão que ciclovias padrão tiveram aumento no número de ciclistas em comparação com ruas sem infraestrutura para bicicletas. Mas principalmente concluíram que ciclovias protegidas incentivaram ainda mais pessoas a optar pela bicicleta ao invés de caminhar, dirigir ou usar o transporte público.
A pesquisa mostra aquilo que muitos ciclistas, aqui e no exterior, já constataram: as faixas protegidas atraem mais ciclistas, e são particularmente eficazes em incentivar pessoas que, de outra forma, hesitariam em enfrentar o pedal em ambientes urbanos onde a primazia das políticas públicas é o carro, e o trânsito costuma ser impiedoso com os mais vulneráveis.
Artigo publicado originalmente em Ciclovivo e Mobilize Brasil, em julho de 2025.
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