Um dia sem carro não faz uma cidade menos dependente dele
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A Google tem mostrado interesse na construção de cidades, e Larry Page deseja criar zonas autônomas que possam experimentar novas regras sociais.
11 de novembro de 2014Você gostaria de viver em uma cidade privada? Não? E se a Google estivesse administrando a cidade? Você mudaria de ideia? A ideia da construção e administração de cidades pelo Google é menos louca do que você imagina.
A Google tem mostrado interesse na construção de cidades, e Larry Page deseja criar zonas autônomas que possam experimentar novas regras sociais. Juntas, essas duas ideias têm o potencial de transformar o mundo. A mudança institucional pode impulsionar o crescimento econômico, enquanto que uma administração competente e eficiente pode assegurar que tais ganhos não sejam perdidos em corrupção.
A ideia de cidades privadas normalmente desperta temores de um futuro distópico, onde corporações malignas exploram impiedosamente a população em busca de lucro. O governo é visto como a última defesa contra a tirania privada. Contudo, quando se substitui uma corporação sem nome pela Google, o pensamento muda. Em vez de temer a predação, nós apreciamos os benefícios da administração eficiente.
Empresas como a Google pensam no longo prazo. É improvável que elas sacrifiquem suas reputações por ganhos de curto prazo. Além disso, a Google é pragmática. Ela pensará fora do status quo, adotando as melhores políticas para atrair residentes. Ainda, a Google é suficientemente grande; ela não será intimidada por rent-seekers que tentam viver do trabalho alheio.
Apesar desses benefícios, muitos serão céticos. Pessoas que vivem nos Estados Unidos e na Europa tendem a viver em cidades boas e razoavelmente bem administradas. As batalhas recentes entre o Uber e os cartéis de taxistas mostram o potencial de melhoria, mas para um cidadão do ocidente, os benefícios oriundos da administração de cidades pelo Google são marginais.
O verdadeiro potencial do Google e de outras empresas que desejam criar cidades privadas está no mundo em desenvolvimento. Países pobres são pobres porque têm governos predatórios. Esses governos impedem que seus cidadãos se engajem no empreendedorismo. Esses governos também concedem privilégios monopolísticos aos seus amigos e famílias, enriquecendo-os à custa do restante da sociedade.
Essas restrições normalmente beneficiam as elites dessas sociedades, condenando as massas à pobreza. Sem assegurar direitos de propriedade e o estado de direito, o desenvolvimento econômico é somente um sonho distante. A Google poderia oferecer esperança.
Como a Google é uma empresa mundial, amplamente conhecida, ela poderia negociar com os governos de nações em desenvolvimento em busca de autonomia institucional para administrar cidades privadas. O papel dos governos seria simplesmente sair do caminho. Isso pode ser ir longe demais: abdicar do poder é raro. Felizmente, isso já está acontecendo.
Honduras aprovou uma lei que permite a existência de ZEDEs (Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico), regiões autônomas. As ZEDEs permitem que regiões de Honduras optem por abdicar da lei civil e comercial para importar um sistema legal da sua escolha. Além disso, as ZEDEs são capazes de criar seus próprios sistemas administrativos, reduzindo a chance de corrupção.
Honduras é só o início. El Salvador e Costa Rica estão considerando seriamente a criação de suas próprias regiões autônomas. A participação ou não da Google nisso tudo cabe à empresa. Não obstante, Honduras deve oferecer uma grande oportunidade para que a Google busque os objetivos divulgados.
Este artigo foi publicado originalmente no site da Foundation for Economic Education em novembro de 2014 e traduzido por Matheus Pacini.
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