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Os bairros Moinhos de Vento e Restinga, desde sua origem, são retratos da profunda desigualdade urbana que existe em Porto Alegre. O Moinhos surge a partir de chácaras e mansões de famílias de elite que, deliberadamente, se instalaram então longe do Centro.
O padrão de vida atual do bairro é equivalente ao de Portugal ou Espanha, com alguns usufruindo uma vida equivalente ao padrão de Suíça ou Noruega. Entre algumas demandas dos moradores, estão as de que a fiação elétrica seja enterrada, que buracos no asfalto sejam tapados, que menos prédios sejam construídos para evitar a “descaracterização” do bairro. Andar de bicicleta é uma forma de contribuir para uma agenda verde ou é uma opção de saúde e lazer, um luxo para quem está bem localizado e consegue realizar atividades com certa proximidade.
A Restinga surge como resultado de uma realocação em massa de comunidades despejadas para uma região distante de oportunidades e serviços públicos. Hoje seus moradores têm padrão de vida equivalente ao Vietnã ou Honduras, com alguns deles em condições normais em comparação em Camarões ou no Sudão. Entre algumas demandas, estão as de que haja eletricidade e saneamento básico para todos, que haja pavimentação nas ruas, que prédios sejam construídos para melhorar o aspecto do bairro (composto, na sua maioria, por habitações irregulares) e que se possa circular live das facções. O uso da bicicleta aparece como uma solução de transporte mais barata que a motorizada e mais rápida que andar a pé.
Vista aérea da Restinga, localizada a cerca de 20 quilômetros de distância do Moinhos de Vento.
A comparação não serve como forma simplista de sugerir que um é culpado pelo outro. Serve, no entanto, para mostrar que Porto Alegre ainda é uma cidade pobre, e que deveria inspirar pragmatismo com o investimento público. A Restinga mostra que há muitos investimentos básicos a serem feitos na cidade, onde o impacto gerado por cada real investido é muito maior: na semana passada, a Rua Dinarte Ribeiro, no Moinhos de Vento, foi repavimentada. Enquanto isso, na Restinga (e em outros bairros da cidade), ainda há inúmeras ruas de chão batido, sem qualquer tipo de pavimentação. A cidade é uma só, e prioridades chamam.
Publicado originalmente em Zero Hora em maio de 2022.
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