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Buenos Aires um ano após novas ciclovias
Imagem: Movilidad/GCBA.

Buenos Aires um ano após novas ciclovias

Em 2020, o número de ciclistas em Buenos Aires aumentou 28% em relação a 2019, e as mortes de ciclistas diminuíram.

18 de novembro de 2021

Em 2020, enquanto a pandemia de Covid-19 levava as pessoas a buscar meios mais seguros de locomoção, o número de ciclistas em Buenos Aires aumentou 28% em relação a 2019, e as mortes de ciclistas diminuíram.

O crescimento pode ser atribuído às ações da cidade para promover e monitorar o uso da bicicleta — sobretudo à implantação de ciclovias nas importantes avenidas Corrientes e Córdoba. Em agosto de 2020, oito meses após a implantação, as rotas das duas avenidas apresentavam um aumento surpreendente de 290% e 349% no volume de ciclistas, consolidando o crescimento que já havia sido observado imediatamente após a implantação.

Também houve crescimento de 131% nas vendas online de bicicletas entre abril e agosto de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma alta de 50% no uso de bicicletas para entregas entre 2019 e 2020.

Tomados em conjunto, esses dados sugerem que promover a mobilidade ativa tem potencial de reduzir as mortes em sinistros de trânsito. E que há um potencial de redução ainda maior caso a cidade continue a estimular a migração de modos menos sustentáveis, como carros e motos, construindo mais infraestruturas seguras para a bicicleta.

Bons projetos de ciclovias atraem mais ciclistas

Embora o aumento do uso da bicicleta tenha sido observado em toda a cidade de Buenos Aires, ele foi maior nas avenidas com ciclovias seguras e bem projetadas do que em avenidas sem infraestrutura para ciclistas. A cidade comparou o número de ciclistas nas avenidas Corrientes e Córdoba com duas avenidas semelhantes ao longo dos anos.

Embora em 2020 o número de viagens de bicicleta tenha aumentado nas quatro avenidas, a Corrientes e a Córdoba tiveram 50% mais viagens do que as que não receberam ciclovias.

O sucesso das novas rotas está relacionado a vários fatores. Segundo a prefeitura, as ciclovias das avenidas Corrientes e Córdoba foram planejadas para atender à demanda que já existia. Antes da intervenção, muitos ciclistas eram observados trafegando junto aos veículos.

As condições eram complexas e perigosas, já que não havia segregação física para bicicletas. As novas ciclovias oferecem uma opção para essa demanda pré-existente, atraindo novos ciclistas e, mais importante, protegendo-os. Dados preliminares sobre sinistros de trânsito mostram uma diminuição na taxa de ciclistas feridos por cada mil viagens, de 79% na Av. Corrientes e 92% na Av. Córdoba.

Na área central da cidade, a construção de ciclovias com base em estudos de demanda levou ao aumento da proporção de pessoas que pedalam na rede, em condições seguras, passando de 39% em 2019 para 45% em 2020. Este é o maior valor registrado desde 2012, quando apenas 22% das viagens foram feitas dentro da rede de ciclovias da cidade.

Outro fator-chave de sucesso para essas ciclovias é que, além de conectar importantes centros de transporte com grandes áreas administrativas e comerciais de Buenos Aires, as faixas ao longo das principais avenidas proporcionam viagens diretas e eficientes, melhorando o tempo de viagem dos ciclistas em 10% em comparação com as rotas anteriores, por ruas secundárias.

Da mesma forma, uma comparação dos tempos de viagem indica que, para um trajeto típico pelas avenidas, o tempo médio de bicicleta é menor que o de transporte público ou carro.

Além disso, essas ciclovias são unidirecionais e têm largura de 3 metros, o que permite a convivência segura entre ciclistas. Vale destacar que quadruplicou o número de ciclistas mulheres nas avenidas que receberam intervenções, evidenciando o sucesso do projeto em atrair usuários.

Estudos anteriores da cidade indicam que a sensação de insegurança no trânsito é a principal barreira para o uso da bicicleta entre as mulheres. Assim, é possível supor que a nova infraestrutura as faz sentir seguras o suficiente para pedalar.

A largura de 3 metros comporta o uso por ciclistas com diferentes níveis de experiência, proporcionando mais espaço para ultrapassagens seguras. Além disso, eles permitem que bicicletas maiores, como triciclos ou bicicletas de carga, trafeguem com facilidade.

Tornando a infraestrutura permanente

A flexibilidade do projeto, implementado com sinalização em pintura e balizadores plásticos, permitiu que a cidade respondesse rapidamente às necessidades de mobilidade da população. Também permitiu avaliar o desempenho das novas ciclovias e efetuar modificações no projeto quando necessário.

A cidade coletou dados relativos ao tráfego de veículos nas duas avenidas e foi capaz de demonstrar que, após as modificações, não houve impacto significativo nos níveis de congestionamento.

No contexto da pandemia e em relação à 2020, as viagens de bicicleta em Buenos Aires passaram de 320 mil viagens diárias em 2019 para 405 mil viagens diárias em 2020
No contexto da pandemia e em relação à 2020, as viagens de bicicleta passaram de 320 mil viagens diárias em 2019 para 405 mil viagens diárias em 2020. (Imagem: Movilidad/GCBA)

Buenos Aires também está tornando a infraestrutura mais segura, substituindo os balizadores por segregação mais resistente, de concreto, protegendo os ciclistas do tráfego motorizado em pontos onde foram identificados mais conflitos. Assim, uma política que começou como temporária tem permitido à cidade reafirmar seu compromisso com a promoção da mobilidade sustentável e segura.

Durante o processo de implementação, a cidade seguiu as três etapas principais para transformar a infraestrutura cicloviária para além da pandemia:

(1) adequação do espaço viário existente por meio do urbanismo tático, principalmente com pintura e balizadores;

(2) limites de velocidade reduzidos de 60 km/h para 50 km/h; e (3) alinhamento entre infraestrutura para bicicleta e objetivos de longo prazo, como o plano de ação climática da cidade.

Buenos Aires busca atingir 1 milhão de viagens de bicicleta em 2023, como um passo para se transformar em uma cidade neutra em carbono, resiliente e inclusiva até 2050.

Artigo publicado originalmente em WRI Brasil em 4 de outubro de 2021.

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