Podcast #128 | A história do BRT de Curitiba
Confira a nossa conversa com o urbanista Luiz Hayakawa, que trabalhou no desenvolvimento do BRT de Curitiba.
O mobiliário urbano escolhido para compor o espaço é responsável pela qualificação do lugar, podendo criar espaços urbanos mais amigáveis.
4 de agosto de 2022Se o piso de uma calçada é elemento fundamental para a organização de fluxo, o mobiliário urbano escolhido para compor o espaço público é responsável pela qualificação daquele lugar, podendo criar lugares mais amigáveis. Lixeiras, canteiros, placas de sinalização, bancos, iluminação, bicicletários e tantos outros auxiliam a transformar um espaço que, apesar de ser de passagem, é também o único espaço público em boa parte das cidades.
O tecido urbano como conhecemos hoje tem no lote privado o principal uso do solo, de modo que as ruas e áreas públicas preenchem o espaço restante entre esses lotes. Em casos de algumas cidades onde o planejamento urbano conseguiu garantir um território desenhado, os espaços públicos são mais generosos, com parques e praças espalhados pelas áreas loteadas. Já em outras cidades, caracterizadas pelo rodoviarismo, as ruas são primordialmente pensadas para atender às necessidades dos automóveis, fazendo com que existam poucas áreas coletivas generosas. Com o passar do tempo, a sociedade compreendeu a importância de qualificar os espaços públicos disponíveis, sendo os mais abundantes as calçadas.
O mobiliário urbano, utilizado para qualificar os espaços coletivos, consiste em equipamentos e objetos disponíveis para o uso da população ou suporte dos serviços da cidade, atendendo às demandas da vida coletiva. Para organizar o fluxo e indicar as regras de um determinado local, por exemplo, a cidade precisa de sinalizações gerais como semáforos, placas e totens informativos, enquanto que para garantir a limpeza urbana, necessita-se de lixeiras, e para iluminar as vias durante a noite são necessários postes de iluminação pública. Nas calçadas, onde o espaço é mais escasso e concorrido do que nas praças e parques, esse mobiliário se adapta às diferentes configurações possíveis.

Ao mesmo tempo que pode ter materialidade variada, aparecendo principalmente em concreto e aço, o mobiliário urbano deve ser de fácil manutenção e alta durabilidade, além também de ser posicionado fora da faixa de circulação das pessoas na calçada. Sem interferir no fluxo dos transeuntes, resta a eles a faixa mais próxima da testada dos lotes e aquela mais próxima das ruas. Alguns equipamentos são necessários para a organização, como é o caso das sinalizações, lixeiras e iluminação, enquanto outros são interessantes para qualificar melhor o local, oferecendo ao pedestre espaços de estar, descanso, contemplação e apoio, como é o caso dos bancos, bicicletários e canteiros.

Todos eles, porém, se concentram ou próximos às vias, ou próximos às fachadas e vitrines, restando ao desenho urbano definir quais os locais mais adequados, considerando ainda que o mobiliário deve estar também compatibilizado com a infraestrutura de água, esgoto, gás e energia. Para garantir calçadas de qualidade, é fundamental que o projeto de arquitetura tenha em vista o mobiliário urbano junto da fachada, priorizando o percurso do pedestre e assegurando iluminação, sombreamento, limpeza etc.
Nesse sentido, é importante considerar que o mobiliário urbano das calçadas não deveria ser secundário no projeto de arquitetura, uma vez que ele é parte da comunicação entre o edifício e a rua. Em alguns casos é possível propor estruturas mais complexas que visam sanar a demanda por espaços públicos coletivos como praças e parques enquanto também buscam qualificar espaços menos ativos, como é o caso da Calçada de Todas as Cores.

Além disso, o mobiliário urbano também pode ser móvel, sendo instalado somente em alguns períodos do dia, para se encaixar na legislação local, principalmente em ruas muito movimentadas ou calçadas esteiras. Temporário, móvel ou permanente, o mobiliário urbano ajuda a qualificar as calçadas e trazem mais qualidade de vida aos cidadãos; são, portanto, parte fundamental de qualquer bom desenho de calçada.
Artigo publicado originalmente em ArchDaily em julho de 2022.
Somos um projeto sem fins lucrativos com o objetivo de trazer o debate qualificado sobre urbanismo e cidades para um público abrangente. Assim, acreditamos que todo conteúdo que produzimos deve ser gratuito e acessível para todos.
Em um momento de crise para publicações que priorizam a qualidade da informação, contamos com a sua ajuda para continuar produzindo conteúdos independentes, livres de vieses políticos ou interesses comerciais.
Gosta do nosso trabalho? Seja um apoiador do Caos Planejado e nos ajude a levar este debate a um número ainda maior de pessoas e a promover cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas.
Quero apoiarConfira a nossa conversa com o urbanista Luiz Hayakawa, que trabalhou no desenvolvimento do BRT de Curitiba.
O ritual matinal que trata crianças como encomendas, não como pessoas.
Densidade e verticalização são termos que frequentemente se confundem. Mas eles não são sinônimos.
A atual discussão sobre a Tarifa Zero — e sua tentativa de expansão nacional — une operadores e ativistas de forma inusitada. Mas os argumentos de ambos são questionáveis.
A estratégia da cidade de Loja, no Equador, gerou ganhos em mobilidade ativa, infraestrutura, mitigação de inundações e bem-estar emocional.
Confira a nossa conversa com o presidente da SP Urbanismo, Pedro Fernandes.
Com a implantação de uma taxa de congestionamento, Nova York se tornou mais um exemplo que teve resultados positivos após a medida. O que as cidades brasileiras podem aprender com isso?
Dados mostram que uma limitação da oferta de moradia está associada a maiores aumentos nos preços do aluguel em bairros de menor renda.
O aumento das temperaturas está colocando à prova a funcionalidade das cidades, da eficiência do transporte à produtividade do trabalho informal. O desenho urbano e as infraestruturas resilientes são fundamentais para que as metrópoles continuem habitáveis.
COMENTÁRIOS