Por que odiamos prédios?
A construção de novos edifícios costuma gerar muita resistência das pessoas na cidade. Neste artigo, procuramos entender por que isso acontece.
O Centro Histórico de Porto Alegre enfrenta desafios de zeladoria e alta vacância imobiliária. Iniciativas de revitalização são positivas, mas insuficientes para endereçar os variados problemas. Um mapeamento abrangente é crucial para solucionar a situação.
18 de março de 2024Quem frequenta o Centro Histórico sabe que é um local vibrante, um dos poucos bairros onde a caminhada predomina sobre os carros e onde a área no térreo vale mais que na torre. O Centro é um dos locais com maior acesso a empregos e é terminal das linhas de ônibus, assim como a chegada da Região Metropolitana. Isso dito, é inegável que o Centro ainda apresenta não só um déficit de zeladoria urbana, como um percentual de imóveis vazios maior que no resto da cidade.
Leia mais: O que podemos aprender com a evolução urbana de Porto Alegre
Movimentos como o Plano Diretor do Centro Histórico, a concessão do Cais Mauá, a revitalização do Quadrilátero Central e do viaduto da Borges são muito bem-vindos, mas são insuficientes para endereçar a vacância que desperdiça solo urbano e afugenta novos investimentos. É imprescindível realizar um mapeamento de imóveis vazios para entender os diferentes motivos de vacância.
São imóveis do município, do Estado e da União, ultrapassando múltiplas entidades, como o edifício da Smed, na Andradas, e o do INSS, em frente ao Mercado Público. São imóveis tombados com exigências incongruentes entre patrimônio, bombeiros, acessibilidade universal e necessidades contemporâneas como sistemas de climatização. Outros estão em processos de inventário ou disputas legais sujeitas à morosidade do Judiciário.

Leia mais: De volta ao Centro
Entre os imóveis privados, existem aqueles de especuladores que ignoram o custo de oportunidade, esperando uma venda espetacular que nunca virá. Talvez mais difícil de resolver seja o caso dos condomínios de múltiplos proprietários que, por problemas de governança, deixaram de realizar manutenções regulares. Esses edifícios se deterioram com o tempo em um cenário no qual todos perdem. Para endereçar esse problema em Hong Kong, proprietários que detêm a partir de 70% de edificações antigas conseguem autorização judicial para a venda compulsória dos minoritários, medida drástica e impensável na nossa legislação atual.
Nem todo imóvel vazio é igual, e cada caso de vacância necessitará uma solução diferente. Sem um mapa da vacância, seguiremos perdidos e usando ferramentas inadequadas.
Artigo publicado originalmente em GZH, em março de 2024.
Somos um projeto sem fins lucrativos com o objetivo de trazer o debate qualificado sobre urbanismo e cidades para um público abrangente. Assim, acreditamos que todo conteúdo que produzimos deve ser gratuito e acessível para todos.
Em um momento de crise para publicações que priorizam a qualidade da informação, contamos com a sua ajuda para continuar produzindo conteúdos independentes, livres de vieses políticos ou interesses comerciais.
Gosta do nosso trabalho? Seja um apoiador do Caos Planejado e nos ajude a levar este debate a um número ainda maior de pessoas e a promover cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas.
Quero apoiarA construção de novos edifícios costuma gerar muita resistência das pessoas na cidade. Neste artigo, procuramos entender por que isso acontece.
Leis no Brasil priorizam o pedestre no espaço viário. Mas, ao eximir a prefeitura de seu papel, uma norma municipal vem impedindo avanços.
O urbanismo modernista da Barra é considerado por muitos a antítese do que deveria ser feito.
Confira a nossa conversa com Alain Bertaud, autor do livro "Ordem Sem Design", sobre como pensar a gestão urbana para além das leis de zoneamento atuais.
Geralmente o turismo é o subproduto de cidades bem-sucedidas que já geram valor real para seus próprios moradores. Algumas cidades turísticas podem ter um problema de dependência desse setor, mas a quantidade de visitantes não é necessariamente ruim.
Paris está vivendo uma grande transformação na mobilidade ativa e nos espaços públicos. Porém, isso não significa que o famoso conceito da "cidade de 15 minutos" foi implementado em toda a sua essência.
Como se planeja um território onde praticamente não há legislação? A resposta curta é: com todos os outros recursos que existem.
Com uma ocupação urbana dispersa, priorizando carros e empurrando moradores para longe do centro, a capital planejada tem erros que custam caro para todos.
Confira a nossa conversa com a arquiteta e urbanista Ana Jayme, presidente do IPPUC, em Curitiba.
COMENTÁRIOS