Como as cidades podem se relacionar melhor com seus rios
Enquanto continuarmos planejando cidades de forma desconectada de seus sistemas naturais, seguiremos surpreendidos por enchentes esperadas e perdas evitáveis.
O Largo do Boticário é o exemplo clássico das tristes consequências não intencionadas da determinação do tombamento de um imóvel.
27 de abril de 2013O Largo do Boticário, no Rio de Janeiro, é o exemplo clássico das tristes consequências não intencionadas da determinação do tombamento de um imóvel: a determinação de que ele é patrimônio histórico do governo e não mais de total controle dos proprietários. Ao limitar as possibilidades de alteração do imóvel e obrigar o proprietário a executar reformas não quando tem condições, mas quando é determinado pelos técnicos de patrimônio, cria-se uma situação de insegurança financeira para os donos e de destruição de criatividade para reformar o imóvel de forma inovadora. Alguns consultores jurídicos inclusive recomendam a destruição de imóveis históricos antes de serem tombados, para evitar incômodos dos proprietários.
Este é o triste destino de um tombamento.
Início da construção.
Casal Bittencourt compra casas 20, 26, 28 e 30.
Reformas com participação de Lúcio Costa e Gregori Warchavchik.

Reformas.
Cenário para “007 Contra o Foguete da Morte”.

Declarado área de proteção cultura do Cosme Velho.

Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.
“Ela [proprietária] morava na Europa e quando voltou para cá encontrou o Largo do Boticário repleto de prostitutas, carros roubados. A primeira providência dela foi contratar quatro seguranças de uma empresa particular. Depois viu que não adiantava gastar dinheiro para manter um ponto turístico sem receber ajuda.”
Depreciada, casa é invadida.
Invasores cantam hino da Internacional Comunista. Prefeito logo assina decreto tornando casas de utilidade pública para desapropriação. Sem sucesso.
“Sybil exige que o comprador leve as quatro casas juntas e pede que ele invista no ambiente cultural.Possíveis compradores se interessam pelos imóveis, mas esbarram nas exigências de preservar o local completamente, sem derrubar nada, mantendo as fachadas, mesmo internamente. Além disso, a legislação do bairro não permite que casarões tenham outro uso que não a moradia de uma família.” — O Globo, 2012.

Eduardo Paes desapropria imóvel, que é vendido para rede hoteleira.
Filha do casal Bittencourt, Sybil, com 86 anos, ainda habitava a casa 28.
Na cidade do Rio de Janeiro, 31 imóveis tombados já apresentam risco de desabamento. Em São Paulo, 40% dos 1813 imóveis tombados estão abandonados e na capital mineira, 30% dos 700 imóveis.
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Tombamento é desapropriação, que por sua vez é comunismo. Isso nunca funcionou, nem nunca funcionará.
É com muita tristeza que eu vejo a destruição do nosso passado. Sou cearense de Fortaleza, artista plástico. Quando estive no Rio, fui visitar o Largo do Boticário e fiquei maravilhado, pois adoro. Quando olhei essas fotos, fique revoltado com a quase destruição dos casarões. O mau do nosso país são os políticos que enganam o nosso povo com falsas promessas.