Como sobreviver às calçadas de São Paulo?

Calçada da rua Barata Ribeiro, São Paulo. (Foto por Marcos Paulo Dias, Flickr, com modificação)

Dia 8 de agosto foi Dia Mundial do Pedestre. E em São Paulo, apesar de 30% dos deslocamentos serem feitos a pé, o paulistano não tem o que comemorar. A falta ou inadequação das calçadas contribui com um indicador trágico: nos  últimos 12 meses a cidade registrou quase 1.200 acidentes de trânsito com mortes, sendo que 45% das vítimas foram pedestres, seguidos de motociclistas.

Encarar calçadas inexistentes ou intransitáveis, além das faixas de pedestre apagadas, faz parte do cotidiano de quem vive na capital. Embora conte com mais de 17 mil quilômetros de vias, uma grande porcentagem delas – e a Prefeitura sequer sabe exatamente quantas e onde estão localizadas – não têm calçadas. As que contam com calçadas e meios-fios são marcadas por inúmeros problemas que impedem a circulação das pessoas.


As que contam com calçadas e meios-fios são marcadas por inúmeros problemas que impedem a circulação das pessoas.


Se tomamos a Avenida Teotônio Vilela e a Avenida Marechal Tito, duas das vias em que mais aconteceram mortes de pedestres nos últimos 12 meses, um total de 12 cada, em vários de seus trechos as calçadas são muito estreitas e as pessoas andam no meio da rua.

Embora há anos haja uma legislação da Prefeitura específica para regulamentar as características das calçadas e aponta para a obrigação de que se construam passeios de acordo com estas regras. Entretanto, a responsabilidade tanto de implantar quanto manter estas estruturas continua sendo do dono do lote, como se ela fosse uma extensão do espaço privado, e não um espaço público.

Por exemplo, tem que haver uma distância de 1,20 m de calçada livre de qualquer mobiliário como lixeiras. Mas como pedestres que somos, sabemos que é muito raro que vias, avenidas, ruas cumpram esta exigência. Diante desse cenário, causa incômodo que no ano passado tenha sido lançado um programa de R$ 350 milhões para recapear as vias asfálticas -Asfalto Novo- , mas não para constituir ou reformar essas calçadas. Trata-se de um problema urgente, porque estamos tratando de mortes.

A proposta de um novo decreto regulamentando o conjunto de leis que tratam do tema na cidade de São Paulo foi lançado em junho pela prefeitura. Mas infelizmente a governança dos passeios, ou seja a responsabilidade pela implementação e manutenção permanente das calçadas, assim como o destino dos passeios  que hoje não obedecem os padrões e regras, mais uma vez, não está sendo enfrentado.


Texto publicado originalmente no Blog na Raquel Rolnik em 13 de agosto de 2018.

  1. marcelo pagotto carneiro

    Excelente artigo , como tal ainda não se estabelece uma política adequada aos passeios , como se este fosse algo ‘neutro’ na cidade , quando na verdade é o espaço preferencial do pedestre.

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  2. marizelia

    Sou de Mauá e aprendi a andar no meio-fio, principalmente quando venho do supermercado com meu carrinho.

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  3. Gilson Perozin

    Nascemos com pernas não com rodas. Os pais não deveriam dar um carro de brinquedo para os filhos, e sim um par de tenis novo. Induzimos nossos filhos a acreditar que o carro é a melhor coisa do mundo. Temos que mudar isso educando as crianças. Quando seu filho completar 18 anos, não de um carro a ele. Uso conciente do automóvel, nisto eu acredito. Se ainda não bastasse os carros ainda ocupam as calçadas e destroem os passeios.

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  4. Julio

    praticamente todas as calçadas em São Paulo são acessiveis… aos carros…
    ninguem quando faz a calçada pensa que nela devem passar cadeirantes, carrinho de feira, pessoas mais idosas com pouca mobilidade… pelo menos 1 metro da calçada deve ser acessivel… e o que temos são muros…

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