A incrível verticalização de Copacabana

 

Fonte imagem: http://www.rioquepassou.com.br/2010/03/01/copacabana-primeira-metade-dos-anos-50/

Copacabana, primeira metade dos anos 50: muitos prédios e ainda algumas
grandes residências da primeira ocupação

Continuando o estudo sobre o Rio de Janeiro descubro mais uma perspectiva interessante do Maurício de A. Abreu, no livro Evolução Urbana do Rio de Janeiro, neste caso sobre um dos resultados da verticalização da Zona Sul de Rio nos anos 50 (sublinhado meu):

“Numa área já totalmente ocupada, e onde os condicionantes físicos não mais permitiam a incorporação de novos locais ao tecido urbano, esse crescimento [86% em Copacabana e 48% na Gávea] só foi possível mediante a ocupação intensiva do solo, ou seja, através da verticalização das construções. Isto, por sua vez, foi facilitado a partir de 1946, quando a Prefeitura Municipal – talvez devido à grandes pressões imobiliárias – liberou o gabarito dos prédios de Copacabana para 8/10/13 andares, conforme a localização. Assiste-se, assim, a partir de 1946, ao boom imobiliário de Copacabana, com a substituição rápida e quase total das edificações construídas na fase de ocupação do bairro, por construções mais modernas, de vários pavimentos.”

Ele continua:

“Com efeito, embora houvesse lei federal determinando o que uma casa ou apartamento precisava ter, essa mesma lei não previa áreas nem formas. Nada impediria, então, que se construíssem edifícios com uma grande quantidade de pequenos apartamentos.”

E conclui:

“Assim, sob a égide da legislação então em vigor, proliferaram na zona sul os apartamentos de quarto-sala e os chamados conjugados, especialmente em Copacabana. E esse bairro – de início ocupado por classes de renda alta, e depois invadido pela classe média e pelas favelas – pôde ser também finalmente alcançado pela classe média-baixa, que para aí se deslocou em grande número, à procura não só de status, como de proximidade a fontes de emprego e a meios de consumo coletivo.”

Nesse contexto, além de permitir a entrada de uma nova classe social no bairro, a verticalização e aumento da densidade também propiciaram uma ampla diversidade cultural e vida social ao bairro, como explicitam David e Rogério Cardeman (pai e filho, respectivamente) no livro “O Rio de Janeiro nas alturas”:

“Com o fim da guerra, já consagrada pela voz de Dick Farney como ‘a princesinha do mar’, Copacabana começou a sofrer um processo de renovação imobiliária, com a substituição dos imóveis da ocupação inicial por outros dotados de equipamentos mais modernos e o aparecimento dos conjugados de dimensões mínimas (quitinetes)… Em 1951, os novos empreendimentos seguiram rapidamente os novos gabaritos, que liberaram as coberturas dos prédios com 20% da área construída do pavimento inferior, os acesso em pilotis abertos e a garagem subterrânea em toda área do lote. É deste ano o projeto do Edifício Chopin e de vários outros no seu entorno. E são do ano seguinte as inaugurações de dois restaurantes que transformariam a Rua Domingos Ferreira em ponto de ebulição social: a pizzaria Caravelle e a primeira loja da futura rede Bob’s.”

Outros autores ainda marcam a década de 50 em Copacabana como o nascimento oficial da Bossa Nova, com a gravação do disco “Canção do amor demais” em 1958, cantado por Elizeth Cardoso com arranjos de violão de João Gilberto, e composições de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. O bairro não só era moradia como onde os jovens artistas circulavam e gravavam.

Fonte imagem: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.078/295

Evolução urbana de Copacabana a partir da legislação permitida, por David e Rogério Cardeman.

Estas evidências históricas de “democratização” do bairro através da verticalização será um dos exemplos usados em uma postagem próxima, onde farei uma análise da imagem ora positiva ora negativa que normalmente temos do processo de verticalização das cidades.

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