Podcast #133 | Territórios do crime
Confira a nossa conversa com Maria Isabel Couto e Carolina Grillo sobre territórios controlados pelo crime no Brasil.
Muitos motoristas tem a percepção de que as novas ciclovias agravam os congestionamentos urbanos. Isso é verdade?
7 de março de 2022Em 2021, o motorista médio de Londres passou 148 horas nos engarrafamentos — o dobro da média nacional, de acordo com um novo relatório da Inrix, uma empresa que analisa o tráfego rodoviário. Essas descobertas levaram a uma reportagem da BBC que atribuiu o novo suposto status de cidade mais congestionada do mundo a um aumento nas ciclovias, implementadas em toda Londres para garantir o distanciamento social nas viagens durante a pandemia. Essa análise parece ignorar o fato de que o congestionamento em 2021 foi praticamente o mesmo que em 2019.
Para entender o que está acontecendo, precisamos lembrar que a quantidade de tempo disponível para cada um de nós restringe o quanto podemos viajar. Há muitas coisas que precisamos encaixar em 24 horas e, em média, passamos apenas uma hora nos deslocando. Isso limita o acúmulo de congestionamento nas cidades.
O congestionamento do tráfego rodoviário ocorre quando há uma alta densidade de pessoas, grande frota de carros e falta de espaço suficiente para todas as viagens de carro possíveis. Se os volumes de tráfego aumentarem por qualquer motivo, os atrasos aumentarão e algumas pessoas que poderiam dirigir farão outras escolhas. Elas podem viajar em um horário diferente ou fazer outra rota, usar um modo alternativo como o ônibus, mudar de destino e ir para um shopping diferente, por exemplo, ou ainda decidir não viajar, comprando online.
Se o espaço viário for retirado dos carros para criar ciclovias, o engarrafamento aumentará inicialmente. Mas os atrasos adicionais levarão alguns motoristas a tomar outras providências, e o congestionamento voltará ao que era.
O efeito geral é reduzir a proporção de viagens de carro. É o que vem acontecendo em Londres há muitos anos, à medida que a população cresceu e houve um grande investimento em transporte público. O uso do transporte privado caiu de 48% em 2000 para 37% em 2019, enquanto o uso do transporte público cresceu de 27% para 36% no mesmo período. O ciclismo aumentou de 1,2% para 2,4%, enquanto a caminhada se manteve estável em 25%.
A estratégia do prefeito de Londres visa reduzir o uso do transporte privado para 20% de todas as viagens até 2041. Isso provavelmente diminuiria a quantidade total de congestionamento de tráfego, embora não necessariamente sua intensidade nos horários de pico nas áreas mais movimentadas.
A criação de ciclovias reduz o espaço disponível para carros, mas não tira as pessoas de dentro deles. Copenhague é uma cidade famosa pelo ciclismo, com 28% das viagens feitas de bicicleta. No entanto, o tráfego de carros é apenas um pouco menor do que em Londres. Além do ciclismo, a outra grande diferença é que o transporte público representa apenas metade da proporção de viagens em comparação com Londres.

A experiência de Copenhague mostra que as pessoas podem ser persuadidas a deixar os ônibus e adotarem as bicicletas, que são mais baratas, mais saudáveis, melhores para o meio ambiente e não mais lentas no trânsito congestionado.
No entanto, os ônibus são uma maneira eficiente de usar o espaço viário para transportar pessoas em áreas urbanas. Substituir os motores a diesel por propulsão elétrica ou a hidrogênio também pode reduzir as emissões de carbono. Tirar os motoristas dos carros e colocá-los nas bicicletas se mostrou mais difícil, mesmo em Copenhague, uma cidade pequena e plana com excelente infraestrutura cicloviária e uma forte cultura de ciclismo.
Em várias cidades europeias, existem diversos padrões de viagens por diferentes modais, refletindo a história, geografia, tamanho e densidade populacional de cada lugar. Mas não há grandes cidades com altos níveis de ciclismo e transporte público.
As perspectivas de um aumento substancial do ciclismo em Londres estão longe de serem certas, dado o nível relativamente alto de uso de transporte público. Ainda assim, o próprio ato de criar ciclovias reduz o espaço viário para carros, independentemente do grau de utilização dessas faixas.
A Covid-19 teve um grande impacto no uso do transporte público em Londres, e as viagens de ônibus e metrô ainda estão em 70–75% dos níveis pré-pandemia. O deficit financeiro pode significar que a Transport for London precisa reduzir os serviços, a menos que o governo ofereça mais apoio.
Nessas circunstâncias, não seria possível um maior investimento em novas rotas ferroviárias, tanto subterrâneas como de superfície. O investimento em infraestrutura ciclável faria mais sentido para reduzir o uso do carro em Londres, tanto incentivando o ciclismo como alternativa quanto diminuindo o espaço para as pessoas dirigirem.
Artigo publicado originalmente em The Conversation em 9 de dezembro de 2021.
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