Brasília não é um bom exemplo de cidade
Com uma ocupação urbana dispersa, priorizando carros e empurrando moradores para longe do centro, a capital planejada tem erros que custam caro para todos.
Ouça nossa entrevista com Gustavo Caleffi e Percival Barboza.
7 de junho de 2023Nas últimas décadas, temos identificado um crescente isolamento do cidadão do espaço público, buscando proteger-se atrás de muros ou cercas, independente do nível de renda do bairro. No entanto, o que urbanistas vêm chamando atenção, também há décadas, é que este processo torna o espaço público, das ruas, das calçadas, nosso ambiente urbano, ainda mais hostil. Ruas se tornam desertas e pedestres caminham junto a muros e cercas sem atividades urbanas.
A fim de compreender como as decisões arquitetônicas e urbanísticas têm impacto sobre o complexo problema da segurança urbana, recebemos os especialistas Gustavo Caleffi e Percival Barboza.
De Porto Alegre, Gustavo é especialista em gestão de riscos estratégicos, crises e segurança. É fundador e Sócio diretor da Squadra Gestão de Riscos e Squadra Academy. É fundador e CEO do aplicativo Be On – Segurança Colaborativa. É administrador de empresas, com MBA em Direccion de Seguridad en Empresas pela Universidade de Comillas (Espanha) e certificado pela universidade Israelense ICT (International Institute for Counter-Terrorism) em “Segurança Global e Antiterrorismo”. Também é autor do livro “Caos Social – A Violenta Realidade Brasileira”.
De Guarulhos, São Paulo, Percival é fundador da PB+A Arquitetura da Segurança, que presta consultoria na arquitetura da segurança, e da Conditione Serviços Tecnológicos, especializada no desenvolvimento de serviços digitais para condomínios. Desde 2001 estuda e aplica a arquitetura de segurança baseada no CPTED (Crime Prevention Through Environmental Design). É fundador da CPTED Brasil, organização sem fins lucrativos formada para disseminar o conceito no Brasil, e formado em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie em São Paulo.

Disponível também em:
Quer participar ao vivo das gravações do podcast? Seja nosso apoiador premium.
Somos um projeto sem fins lucrativos com o objetivo de trazer o debate qualificado sobre urbanismo e cidades para um público abrangente. Assim, acreditamos que todo conteúdo que produzimos deve ser gratuito e acessível para todos.
Em um momento de crise para publicações que priorizam a qualidade da informação, contamos com a sua ajuda para continuar produzindo conteúdos independentes, livres de vieses políticos ou interesses comerciais.
Gosta do nosso trabalho? Seja um apoiador do Caos Planejado e nos ajude a levar este debate a um número ainda maior de pessoas e a promover cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas.
Quero apoiarCom uma ocupação urbana dispersa, priorizando carros e empurrando moradores para longe do centro, a capital planejada tem erros que custam caro para todos.
Confira a nossa conversa com a arquiteta e urbanista Ana Jayme, presidente do IPPUC, em Curitiba.
Uma equipe de pesquisadores identificou oito cidades “fora do radar” que estão liderando uma transformação local na mobilidade ativa — e uma lista de estratégias que outras comunidades podem e devem copiar.
Entenda como a legislação urbana transformou um balneário em skyline.
Propostas inspiradas na Times Square, tentando usar a publicidade como uma forma de revitalizar áreas centrais, estão se proliferando nas cidades brasileiras. Mas há uma interpretação equivocada do motivo do sucesso da Times Square nova-iorquina.
Ao longo dos últimos 100 anos, o espaço urbano moldou-se para os carros em detrimento das pessoas. A Teoria Geral da Caminhabilidade, de Jeff Speck, ajuda a enxergar por que caminhar é, muitas vezes, um ato de resistência — e como isso pode ser revertido.
Teresina tem quase 40 parques, mas o problema não é a quantidade. Entre mobilidade precária, manutenção insuficiente e tentativas de privatização, o desafio é transformar áreas verdes em espaços públicos vivos e acessíveis.
A Avenida Leitão da Silva é muito mais que um corredor viário em Vitória: é um espelho das escolhas urbanas que moldaram a cidade, revelando como decisões históricas de planejamento urbano podem transformar uma via em fronteira social.
Confira a nossa conversa com Vivian Barbour e Lucas Volpatto sobre a preservação e a gestão do patrimônio histórico nas cidades.
Apenas muros “resolvem” apenas uma questão, que é o necessário filtro entre domínio privado e público. Quando os mesmos se transformam em fachadas ativas, abrigando atividades de comércio e serviços, passam a endereçar TAMBÉM a ocupação das calçadas. Basta que os mesmos muros tenham, em vez de 30 cm de profundidade, 3 metros por exemplo. Calçadas vivas, gente.
https://www.facebook.com/profile.php?id=100063769730697
A interface viva entre domínios é a questão.