Na primeira parte desta coluna, escrevi sobre como Balneário Camboriú mudou minha rotina e sobre a intensidade de vida nas ruas.
Morar aqui nos últimos meses também significou acompanhar de perto uma região que parece estar sempre em movimento.
Não apenas Balneário. Itajaí, Itapema, Porto Belo e outras cidades do litoral norte catarinense vivem um ciclo intenso de crescimento, investimentos e transformação urbana. Novos empreendimentos surgem em sequência, bairros mudam rapidamente e projetos que em outras regiões levariam anos para sair do papel aqui parecem acontecer em poucos meses.
Os olhos do mercado brasileiro estão cada vez mais voltados para esta região. Vivendo aqui, isso deixa de ser apenas uma percepção e a velocidade das mudanças passa a fazer parte do cotidiano. A cada semana, alguma dessas cidades citadas anuncia um novo investimento urbano.
Balneário Camboriú talvez seja a face mais visível desse processo, pela verticalização, pelo turismo e pela força de um mercado imobiliário consolidado, mas ela está inserida em uma dinâmica regional maior.
Esse dinamismo também evidencia algumas ausências. Uma delas é cultural. Balneário Camboriú tem uma oferta enorme de gastronomia, comércio e lazer, mas ainda não possui uma vida cultural proporcional à relevância econômica que a cidade alcançou. Nos fins de semana, é comum moradores procurarem algo diferente da praia, dos restaurantes ou do comércio em outras cidades próximas, inclusive Florianópolis.
No entanto, a principal reflexão destes seis meses está no futuro da própria cidade.
Balneário Camboriú atrai investimentos, produz edifícios e continuará crescendo. Com o novo Plano Diretor aprovado, talvez seja o momento de pensar não apenas em quanto a cidade pode construir, mas em que tipo de moradia ela quer produzir.
Não faltam apartamentos em Balneário Camboriú. O que falta é maior diversidade de unidades para atender quem efetivamente trabalha e vive a cidade. Em um mercado com metro quadrado elevado, o tamanho do apartamento pesa diretamente no aluguel e no preço final de compra. Unidades menores, com boas plantas e diferentes tipologias, podem ampliar a possibilidade de morar em BC sem reduzir essa discussão à ideia simplista de habitação barata.
Esse ponto toca diretamente em um dos maiores gargalos da cidade, a mobilidade. Balneário Camboriú é compacta. Muitas distâncias podem ser percorridas a pé, bicicleta, patinetes, etc.. Ao mesmo tempo, uma parcela importante das pessoas que trabalha aqui precisa entrar e sair diariamente de cidades vizinhas.
A cidade é compacta espacialmente, mas parte de sua dinâmica cotidiana é regionalizada justamente porque muita gente não consegue morar perto de onde trabalha.
Se Balneário Camboriú conseguir ampliar a sua diversidade habitacional e se tornar ainda mais uma cidade de moradia, pode reduzir parte desses deslocamentos pendulares e criar condições melhores para investir em transporte público e micromobilidade.
Pode ser esse o próximo salto de Balneário Camboriú. Depois de se consolidar como destino turístico, centro de investimentos e vitrine imobiliária, tornar-se cada vez mais uma cidade para morar.
Ainda falta conhecer dezembro e janeiro. E isso pode mudar um pouco essa leitura.
Para finalizar, há uma descoberta menos urbanística e bastante, digamos, doméstica. Depois de 39 invernos em Porto Alegre, eu achava que conhecia umidade. Balneário Camboriú tratou de corrigir essa impressão rapidamente.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.