Metrópoles são grandes demais, cheias demais, frequentemente espalhadas, com problemas de mobilidade, e caras, muito caras. Tudo é mais caro numa metrópole, seja o valor dos imóveis, o custo do aluguel, alimentação, os serviços mais básicos. Há, ainda, horas consumidas em deslocamento, questões relacionadas à segurança pública, o barulho.
E, ainda assim, a maior parte das pessoas ao longo dos últimos 150 anos escolhem morar numa metrópole. Por que fazem essa escolha?
A resposta é, de certa forma, prosaica: é o trabalho, traduzido em empregos, negócios ou qualquer tipo de empreendedorismo. E onde há trabalho (vagas, consumidores, negócios por serem criados), há formação profissional, há expansão na produção de moradias, há equipamentos de saúde, há atividades culturais e de lazer privadas, há comércio, serviços e tudo o mais que uma população possa precisar — ou desejar — consumir.
Quanto mais trabalho, mais gente; quanto mais gente, mais tudo. A regra é universal, mas a vida nas metrópoles pode ser muito diferente, e a performance entre essas metrópoles, também. Até mesmo metrópoles com economias fortes e grande oferta de trabalho podem represar crescimento e comprometer a produtividade, limitando a criação de riqueza.
Metrópoles onde as leis de uso e ocupação do solo regulam em excesso e impõem burocracia têm dificuldade em produzir o volume de moradias necessário, mantendo a demanda sempre maior que a oferta e encarecendo desnecessariamente o valor das moradias. Restrições à produção e ao adensamento provocam o espalhamento e criam problemas reais de mobilidade, perda de produtividade (pelo tempo de deslocamento que passa a ser necessário para uma grande parte da população), além de agredirem os orçamentos municipais, que perecem receita na mesma velocidade em que assistem os custos com o sistema viário e transporte público explodindo.
Se oferta de trabalho é vida, densidade é a energia que faz a máquina da prosperidade funcionar. Quanto menor as restrições construtivas, quanto menor a regulação e a burocracia, maior será a oferta de moradias, e menor o seu custo; menor será o tempo de deslocamento, e menores os desafios de mobilidade.
O resultado dessa equação — e isso nunca falha — é maior riqueza produzida e distribuída.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.