Cidades caóticas ou planejadas?

londresfolha

Nosso mundo é cada vez mais urbano: cidades se tornaram nosso habitat natural, e urbanismo se tornou o ambientalismo para humanos.

Cidades são o ambiente perfeito para trocas, não só de mercadorias, mas de experiências e de ideias para resolver os problemas da nossa espécie. É onde nasce tanto a arte quanto a tecnologia, mas também onde elas morrem quando se tornam obsoletas. É onde se mistura o caldeirão de culturas da humanidade.

Mas também são nelas onde surgem conflitos, congestão, choques sociais e culturais. Cidades são organismos vivos, aglomerações de humanos que interferem e constantemente retroalimentam o espaço construído.

Na linguagem popular, caos é associado à desordem, bagunça, confusão: nossa ideia quando observamos as cidades de hoje. Mas no sentido técnico, caos é um comportamento imprevisível, a sensibilidade às condições iniciais. É desse caos complexo que surge uma noção quase oposta ao seu sentido popular: o da ordem espontânea.

A cidade, caótica, emerge com ordem natural.

No entanto, somos cegos a essa ordem complexa. Tentamos planejar o caos, sobrepondo o tecido urbano com ordem humana e artificial. Nas palavras de Jane Jacobs,

“Tratar de uma cidade, ou mesmo de um bairro, como se fosse um grande problema arquitetônico, capaz de ser resolvido através de um trabalho disciplinado de arte, é cometer o erro de tentar substituir a vida pela arte. Os resultados de tão profunda confusão entre arte e vida não são nem arte, nem vida. Eles são taxidermia.”

A taxidermia urbana é descrita pelo seu significado popular: desordem, bagunça, confusão.

Hoje cidades são complexas e são planejadas, são caóticas em todos os sentidos.

Queremos entender este Caos Planejado, discutindo formas para torná-lo mais habitável e justo, enquanto criativo e livre.

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