Quando o caminhar dá acesso a histórias e informações que orientam no bairro: um território mais legível

13 de janeiro de 2026

Já pensou em caminhar por um bairro onde, a cada esquina, é possível encontrar placas que indicam os principais equipamentos da comunidade e o tempo para chegar a pé ou de bicicleta? No Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista (Zona Leste de São Paulo), essa realidade já está presente no dia a dia das pessoas.

O território recebeu um novo sistema de sinalização urbana voltado exclusivamente para deslocamentos a pé e de bicicleta. A ideia é facilitar os deslocamentos ativos e valorizar as histórias locais por meio de placas informativas, indicativas e de localização.

Para que isso acontecesse, o Instituto Caminhabilidade se uniu à Fundação Tide Setúbal e ao Galpão ZL. A iniciativa integra o Plano de Bairro e foi construída junto com a população, que participou das oficinas de mapeamento de rotas e equipamentos, e também do mutirão coletivo de instalação das placas. O resultado é um sistema de Legibilidade Cidadã (ou wayfinding participativo), conceito que facilita a leitura e a compreensão do ambiente urbano, ajudando as pessoas a se sentirem mais conectadas, informadas, seguras e reconhecidas no território onde vivem.

Ao todo, foram instaladas 42 placas, sendo:

  • • 17 informativas, com histórias dos locais e das pessoas;
    • 12 indicativas, com a direção e os tempos de deslocamento a pé e por bicicleta;
    • 4 indicativas com informações;
    • 3 de localização, com o mapa completo com todos os locais indicados;
    • 6 de localização com informação.

As placas foram posicionadas a partir de um plano estratégico de legibilidade em que áreas de chegada, como a estação da CPTM São Miguel, recebem indicação com mapa total do território, enquanto esquinas, que são lugares de decisão, recebem sinalização de indicação. 

Esse tipo de sistema é famoso em cidades como Londres, que teve como resultado após a implantação do sistema 60% de redução do número de pessoas que se sentem perdidas na cidade, e 16% de melhoria do tempo de deslocamento a pé (Yellow Book, A prototype wayfinding system for London).

Mostrar a quantidade de equipamentos no território também é uma forma de valorizá-los. O bairro tem 4 quadras, 10 praças, 3 creches e 1 escola, além de inúmeros espaços de convivência criados coletivamente. A sinalização em alguns espaços públicos e equipamentos homenageiam moradores importantes, definidos a partir de oficinas dedicadas à coleta de histórias do bairro e de suas personagens significativas. 

Entre essas homenagens está a querida Dona Glória, celebrada na placa do CEI Lapenna. Nascida no interior da Bahia e moradora do bairro desde 1963, ela é uma das lideranças mais ativas nas lutas por melhorias no território. Participou do Fórum de Moradores, foi diretora da Sociedade Amigos do Jardim Lapenna e teve papel fundamental em conquistas como as creches e o posto de saúde. Outras figuras importantes no bairro, como Narinho, irmãs Sônia e Deise, Seu Antônio Brasileiro também foram homenageadas. 

Além disso, quatro espaços públicos ganharam novos murais artísticos feitos pelos artistas do território, para melhorar o acolhimento no espaço e se tornarem referência junto com a sinalização de apoio à orientação. 

O projeto reforça como as cidades podem e devem se comunicar com as pessoas, ajudando na orientação e fortalecendo laços de afeto com os espaços. E ainda contribui para aumentar a sensação de segurança das mulheres e convidar mais pessoas a caminhar, transformando o bairro em um território mais acolhedor.

Veja o vídeo do projeto aqui.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.

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Organização liderada por mulheres, movida pela urgência de alcançar a equidade de gênero e enfrentar a crise climática, desenvolve cidades caminháveis com o protagonismo da cidadania. ([email protected])
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