Uma professora minha de faculdade dizia que o sucesso de uma rede de transportes sobre trilhos depende, dentre outros fatores, da existência de rotas alternativas entre a origem e o destino de uma mesma viagem. Eu explico com um exemplo real de pouco tempo atrás.
Numa dada manhã, precisava sair de onde moro e chegar ao campus da universidade onde dou aula. O trajeto habitual implica percorrer duas linhas de metrô, uma de trem e ainda tomar um ônibus. Tudo isso costuma durar uma 1h20min.
Ocorre que, nesse dia específico, uma dessas linhas apresentou problemas. Por um momento, me preocupei. Mas eu sabia que podia fazer um caminho alternativo, um pouco mais demorado, que implicava tomar uma linha de metrô, outra de monotrilho e um ônibus.
Essa possibilidade de percorrer um traçado alternativo que me levaria de casa à universidade é precisamente o ponto da minha professora de faculdade.
É verdade que eu me refiro ao ônibus também. Nesse caso, estamos falando de uma rede integrada de transportes em diferentes modais — trilhos e ônibus.
Isso tudo me fez pensar sobre o estágio a que chegamos nos transportes metropolitanos da Grande São Paulo. É fato que a rede de metrô, trens metropolitanos e monotrilho ainda é pouco extensa dado o tamanho da demanda. Mas estamos crescendo a ponto de já termos os tais trajetos alternativos.
Também é fato que ocorrem muitas falhas na rede — como a que me afetou na manhã em questão. Mas que bom que temos justamente uma rede que permite atingirmos o mesmo destino por outras rotas!
Os desafios são muitos e crescem ainda mais quando incluímos os ônibus na equação. Mas fico pensando que não temos um sistema de transportes metropolitanos tão ruim assim, afinal.
Obs.: Escrevi boa parte deste texto em deslocamento no metrô de São Paulo.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.