Hoje é 1° de maio. Dia do Trabalho. E o que o trabalho e o trabalhador têm a ver com a cidade?
Economistas nos explicam que a cidade é, por excelência, um polo de atração de pessoas em busca de emprego. A concentração de firmas e a existência de vastos mercados consumidores faria dos centros urbanos verdadeiras máquinas econômicas.
Sob esse aspecto, as favelas brasileiras seriam sinais de riqueza, já que demonstrariam o poder econômico das cidades, que oferecem numerosas oportunidades de trabalho a ponto de atraírem os mais pobres de áreas rurais e afastadas.
Essa tese, defendida por economistas como o americano Edward Glaeser, contrasta com a de pensadores marxistas, que veem a cidade como meio de exploração — o termo técnico cunhado pelo sociólogo Lúcio Kowarick é “espoliação urbana” — dos trabalhadores e de enriquecimento dos patrões e das elites em geral.
Fato é que as relações de trabalho transformam as cidades. Há autores que defendem inclusive que o planejamento urbano nasceu em meados dos anos 1800 para lidar nas cidades europeias com a miséria e as doenças que acometiam os trabalhadores das primeiras fábricas. Ao mesmo tempo, reformas nas ruas e avenidas de Paris e Barcelona, por exemplo, adequariam grandes metrópoles à circulação de produtos e pessoas, além de servirem como frente de investimentos imobiliários e de geração de lucro.
As revoltas urbanas comandadas por trabalhadores são um capítulo à parte. Como a Comuna de Paris, em 1871.
Hoje, em 2026, o mundo do trabalho, com direitos conquistados ao longo das décadas, com as recentes flexibilização e pejotização e com a informalidade, mudou. E de que forma isso afeta as cidades?
Arrisco dizer que a cidade do século 21 segue sendo moldada pelo mundo do trabalho ao mesmo tempo em que o trabalho a transforma. Seja no âmbito do trabalho remoto e das condições que ele impõe às moradias. Seja no campo do trabalho “essencial” e das consequências que decorreram ao trabalhador durante a pandemia. Mesmo depois da crise do coronavírus, as favelas seguem abrigando trabalhadores essenciais, os quais, como afirma a pesquisadora americana Janice Perlman, fariam a cidade parar caso cruzassem os braços.
É claro que o trabalho não é a única variável que entra na conta. Mas é um dos fatores mais determinantes na conformação das cidades.
Nesse 1° de maio, vale refletirmos sobre a importância do trabalho e do trabalhador.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.