Mobilidade urbana na agenda política das eleições de 2026

5 de maio de 2026

A mobilidade urbana projeta-se como um dos temas centrais do debate eleitoral de 2026 no Brasil. Diante de um cenário de desigualdade de acesso e crise nos modelos tradicionais, é fundamental estabelecer um novo pacto federativo que trate o setor como prioridade estratégica, integrando sustentabilidade financeira, tecnologia e compromisso ambiental. A discussão gira em torno de um conjunto de eixos considerados essenciais, apresentados a seguir.

Novo Marco Legal para o Transporte Público 

Visa enfrentar o déficit histórico do setor e reorganizar sua regulação, com foco em eficiência, transparência e qualidade dos serviços. Além da reestruturação tarifária, estabelece diretrizes robustas para a segurança jurídica e a gestão de contratos dos sistemas de transporte público coletivo. 

Sistema Único de Mobilidade e Tarifa Zero (SUM)

Inspirado em modelos como o da saúde e da assistência social, o SUM objetiva a universalização do acesso ao transporte público coletivo.  A ideia é integrar diferentes modais — como ônibus, metrôs, trens, bicicletas, caminhada —, sob uma gestão unificada, tratando a mobilidade como um direito social essencial. Complementarmente, a ‘’Tarifa Zero’’ defende o financiamento integral pelo orçamento público para democratizar o uso da cidade, reduzir desigualdades e desestimular o transporte individual.

Descarbonização dos transportes

Alinhada às metas climáticas nacionais, a descarbonização do transporte coletivo prevê a substituição de combustíveis fósseis por alternativas limpas, como eletrificação da frota, uso de biometano e hidrogênio verde. 

Na logística urbana, a meta é reduzir a dependência do diesel através da multimodalidade e das ‘’Zonas de Baixa Emissão’’, com restrição de uso de veículos poluentes, incentivando o uso de frotas elétricas e da ciclologística para a “última milha” das entregas.

Transporte ferroviário de passageiros

O incentivo ao transporte ferroviário intrarregional busca reconectar cidades e regiões metropolitanas, oferecendo alta capacidade e menor emissão de carbono. Alivia ainda rodovias e reduz custos de deslocamentos pendulares (casa-trabalho), servindo também como indutor da indústria nacional e do turismo regional.

Mobilidade ativa e saúde urbana

Essa agenda prioriza investimentos em infraestrutura cicloviária e caminhabilidade. A implementação da Estratégia Nacional da Bicicleta (ENABICI) é vista como fundamental para integrar o uso da bicicleta às políticas de educação e turismo, promovendo um modo de transporte saudável, econômico e de baixo impacto ambiental.

Segurança no trânsito

Baseada no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRANS), a proposta adota o conceito de ‘‘Visão Zero’’, onde nenhuma morte no trânsito é aceitável. As ações incluem o redesenho viário, a redução de velocidades nas vias, fiscalização rigorosa, tecnologia de controle viário e revisão de projetos de engenharia para proteger os usuários mais vulneráveis.

Garantia da mobilidade urbana sustentável

A convergência dessas propostas para 2026 sinaliza uma oportunidade histórica de virada estrutural. O acúmulo de experiências municipais bem-sucedidas e o avanço das tecnologias limpas oferecem o suporte necessário para que os candidatos apresentem soluções viáveis. Se bem conduzida, essa agenda funcionará como um potente motor de desenvolvimento econômico, redução de desigualdades e elevação da qualidade de vida nas cidades brasileiras.

Suzana Nogueira
Urbanista e pedagoga, é coordenadora-adjunta do Núcleo Mobilidade Urbana do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper (Insper Cidades).

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.

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