Efêmero é aquilo que não dura. Ou que não é feito para durar. Ou que é tão superficial, ou tão ruim, que o ideal é que não dure mesmo, como posts em redes sociais, “opiniões” e “análises” nos canais de notícias 24 horas, os “especialistas” da internet, talk shows com 3 horas de duração, programas de televisão sobre estética, propaganda política em geral, a cor Pantone de cada ano.
Não é apenas a “mídia” que determina se o produto ou a mensagem vieram para ficar, até porque não faltam poemas, peças, contos, literatura, discursos e até mesmo frases que atravessam o tempo e permanecem na memória, como se tivessem a concretude e presença de uma montanha.
No final do dia, o que determina a permanência (em oposição à fugacidade) é, unicamente, a qualidade da obra.
Mas não na arquitetura. Com a arquitetura, tudo é concreto e tudo é permanente, não importando a qualidade, o impacto, a proposta, o contexto, a harmonia, a beleza ou a adequação. Em se tratando de prédios, não há “seleção natural”, e não importa a falta de qualidade, a opinião crítica da população, a inadequação entre o objeto construído e o local, nem os impactos negativos no quarteirão e na cidade.
Depois de se tornar um fato consumado, a cidade e a população precisam pagar o preço por decisões e escolhas muito particulares. Sim, em lotes privados as decisões são exclusivamente dos proprietários e incorporadores, estritamente privadas, como deve ser.
E isso não está errado, mas é ruim, muito ruim. E é definitivo.
A melhoria passa por soluções até simples (embora importantes e corajosas) em duas esferas distintas. Na esfera privada, o empreendedor tem sempre a chance de contratar apenas os melhores arquitetos, aqueles que entregam tanto criatividade quanto beleza, além de um amplo conhecimento técnico, entregando construtibilidade do edifício projetado.
Na esfera pública — nunca é demais lembrar — a atenção deve permanecer nas áreas públicas, adotando a regulação mais flexível e menos “engessada” possível, aquela que permita o melhor aproveitamento dos lotes e as mais diversas formas de ocupação, de forma, volumetria, experimentação e novas abordagens arquitetônicas e urbanísticas.
Se o quarteirão é a soma de seus prédios, a ambientação dos bairros é a soma de seus quarteirões. Quanto piores os prédios, quanto mais padronizadas as volumetrias, quanto menos criatividade, quanto menos invenção, pior é a cidade.
No final do dia, a cidade será tão melhor quanto menos interferência regulatória os prédios tiverem, e quanto mais opinião crítica a população tiver sobre a arquitetura produzida, gerando uma onda de atenção para o poder — e importância — da arquitetura para a cidade.
A arquitetura — e a qualidade de cada prédio — precisam voltar à pauta de conversas da sociedade.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.