Advertência: Este texto versa sobre energias ocultas. E sobre como elas tornam algumas cidades simplesmente mágicas.
Depois de conhecer Salvador — aliás, que vergonha visitar a cidade pela primeira vez só depois dos 30! — fiquei com uma impressão ainda mais forte de que algumas cidades guardam uma energia muito particular, que nos cativa inexplicavelmente.
Não me refiro especificamente à hospitalidade, à cultura ou à religiosidade do povo baiano. Refiro-me a tudo o que senti por lá.
Algumas cidades nos encantam sem darem muita margem para explicações objetivas. Da mesma forma que outras nos desapontam sem que a gente saiba justificar.
Roma foi assim comigo. A cidade é linda e tem um valor histórico, religioso e arquitetônico inestimável. Mas eu senti um certo incômodo por lá. Simplesmente me veio essa sensação ao andar pelas ruas da antiga capital do Império Romano.
Já Paris me desencantou e talvez eu saiba explicar o porquê. Eu esperava pisar em uma cidade mágica, cheia de glamour, amor e elegância. De fato, encontrei todos esses elementos por lá. Mas vi muita vulnerabilidade por parte de alguns moradores e senti uma atmosfera onde por vezes pairava uma impessoalidade e frieza. Talvez eu esperasse muito da capital francesa. De modo que ficou difícil para a cidade preencher essas minhas altíssimas expectativas.
Com Londres, foi o contrário. Eu não sabia o que esperar da cidade. Na verdade, eu não tinha muitas expectativas. Haviam me alertado sobre o clima chuvoso, sobre edifícios cinzentos e sobre um povo excessivamente reservado. E não é que me apaixonei?
Outras cidades nos despertam emoções mistas. Como Nova York, onde morei. Como não podia deixar de ser, a cidade ocupa um lugar especial em mim. Afinal, vivi momentos mágicos e memoráveis na Big Apple. Mas também vi muita desigualdade e segregação. O bairro onde morei, por exemplo, era predominantemente estudantil, branco e de classe média. Duas quadras para baixo, depois de cruzar a Broadway, eu entrava no Harlem, onde negros e latinos, em geral com rendimentos mais baixos, predominavam. Cada área era indiscutivelmente única. Mas as diferenças me puseram para pensar e me fizeram questionar o ordenamento urbano na maior metrópole americana.
Eu esperava muito de Salvador e a cidade entregou ainda mais. Eu vi pobreza, vi segregação, vi cultura, vi hospitalidade, vi a Cidade Alta e vi a Cidade Baixa. Vi uma magia indescritível.
É tudo muito subjetivo. E ver alguns lugares como turista e outros como morador faz muita diferença.
E você? Quais cidades te encantam e por quê?
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.