Vai sem medo

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Créditos: Rafael Fabricio Chiti

 

Deve existir algum ditado que diga que nossas escolhas são reflexo daquilo que a gente acredita (alguém sabe se tem? Juro que não lembro.). Tenho quase certeza que já ouvi algo assim, mas procurei na internet e não achei. Caso não exista, deveria existir. Que seja. Existindo ou não, concordo muito com essa afirmação. Tudo que fazemos vão (ou têm de ir) de encontro àquilo que acreditamos.

Se, ao dirigir, não damos pisca ao dobrar numa rua, é porque achamos que ele não é necessário naquele momento. Se jogamos lixo no chão, é porque acreditamos que aquele lixo não fará diferença nenhuma na vida dos outros. Se comemos no McDonald’s, é porque acreditamos que aquela forma de alimentação deve existir. Talvez esses exemplos sejam extremos, mas deu pra sacar a ideia. Nossas ações validam nossas crenças. Assim como extremos, os exemplos dados são de crenças estabelecidas na sociedade (talvez não o McDonald’s…). Felizmente, a maioria usa pisca-alerta no trânsito e não joga lixo no chão. E acredito que fazem isso porque, além de certo, é fácil, é seguro. Dar um pisca é um esforço de milésimos de segundos que evita acidentes, assim como não jogar lixo no chão é proteger a natureza. Ninguém corre risco por fazer isso.
Mas e aquelas crenças que não são tão fáceis, seguras e simples assim? Um exemplo: caminhar pela rua à noite. Muita gente tem certeza – e dados comprovam – que a quantidade de pessoas ocupando uma rua é inversamente proporcional à insegurança do local. E é meio óbvio também: quanto mais gente num mesmo local, mais difícil a ação de criminosos. Porém, por mais que acreditem (e eu acredito também), sair caminhando à noite, sozinho e até em grupos, não é lá algo muito sensato.

Por mais insensato e perigoso que seja, caminhar à noite talvez seja a única solução para o problema da própria segurança na rua. Não vejo o governo resolvendo todo o problema da segurança enquanto eu for vivo. Mas também não quero ser privado de usar a rua da minha cidade por causa disso. Acho que se a gente acredita nisso, e quer que aconteça, devemos começar por nós mesmos a validação dessa posição. Óbvio, não vamos nos atirar nas ruas pela madrugada, como loucos. Eu acredito em microrevoluções. Uma caminhadinha ali, outra ali, uma corridinha lá. Talvez assim, aos poucos e com sensatez, podemos ocupar as ruas e talvez deixar elas mais seguras pra gente e pra toda a sociedade.

Luciano Braga, “caminhador noturno”

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